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O que eu aprendi

Texto: Roberta Faria // Fotos: Arquivo pessoal da redação // Stil: Marcelo Trad
O que eu aprendi
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Já não me lembro direito da tabuada do 8 nem da diferença entre mitose e meiose, e espero que minha vida nunca dependa de explicar o que é um objeto direto pleonástico. Foram 11 anos de escola, cinco horas por dia, cinco dias por semana, 300 dias por ano. Mais tarefas de casa, trabalhos em grupo, estudos para provas, aulas extracurriculares. E a verdade é que me esqueci de quase tudo o que me ensinaram. Lembro mesmo é do uniforme que pinicava, todos nós iguais (mas uns tentando ser menos iguais que os outros). Do frio na barriga no primeiro dia de aula, da dúvida de qual o melhor lugar para se sentar, das professoras incríveis e das tenebrosas. Lembro-me do cachorro-quente da cantina (e do “pão com molho”,  versão sem salsicha que custava a metade do preço). Do medo do inspetor, que ficava vermelho quando gritava com a gente. Dos trabalhos em grupo, feitos à mão com consultas à Barsa, sem xerox nem Google. Lembro das gincanas entre as séries e da rivalidade mortal entre a manhã e a tarde. Dos campeonatos entre as escolas e da torcida no ginásio. Das roupas na festa junina, das dancinhas e dos teatros nas apresentações de fim de ano, dos desfiles de 7 de setembro. Do vulcão e outras engenhocas que fazíamos para a feira de ciências. Dos bilhetes com códigos entre amigas, das badernas do fundão, dos segredos de-quem-você-gosta. Lembro-me das brigas, muitas: brigávamos entre nós, com outras turmas, com professores – e adorávamos fazer abaixo-assinados para exigir qualquer coisa. Lembro de ser muito feliz. De ter aprendido a amarrar os cadarços, fazer amigos, falar em público, jogar truco, escrever histórias, defender o que acho certo. Tudo bem ter perdido algumas coisas. As mais importantes que a escola ensina não estão nos livros, e dessas a gente não se esquece.

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Comentários:
O editorial da Revista Sorria Educação foi inspiração da nossa primeira reuniao de pais do Colegio... está fantástico!!! A materia O que eu aprendi é simplesmente mágica: "Tudo o que passa pelos sentimentos, jamais é esquecido."
Eliane Menin
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