Droga Raia

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BLOG DA REDAÇÃO

Confira aqui o que você precisa fazer para partcipar da Campanha Eu e Minha Sorria
 
 
 
 
Para participar da campanha, é necessário enviar sua foto para eueminhasorria@revistasorria.com.br. Junto com ela, o participante da campanha deverá enviar o nome completo, a idade, o telefone e o endereço de quem estiver aparecendo com um exemplar da revista.
 
Na foto, devem aparecer a Revista Sorria e pelo menos um leitor.
 
A foto pode ser feita em qualquer lugar: tanto faz ser em casa, fora dela ou até mesmo na filial da Raia onde você compra a Sorria.
 
Será enviado um exemplar do livro Prazeres Simples da Editora MOL para cada endereço, não importando quantas pessoas aparecem na foto da campanha Eu e Minha Sorria.
 
A foto enviada para participar da campanha deverá estar em alta resolução (300 dpi ou 5MB se for tirada de celular).
 
Ao enviar sua foto, você autoriza que ela seja publicada nas nossas redes sociais (Facebook, Twitter, Pinterest, etc) ou na edição impressa sem custos para a Editora MOL e seus parceiros no projeto Sorria.

Escrito às 15h44 do dia 01 de abril de 2013

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Texto: Jeferson Castro // Fotos: divulgação

Comprar a Sorria não é a única forma de colaborar com o GRAACC. Existem serviços e produtos que revertem sua renda de forma parcial ou integral. Além disso, há eventos que também colaboram. Para a instituição, cada centavo faz muita diferença. E quem compra também pode se sentir melhor, já que vai consumir e ajudar ao mesmo tempo. Muito legal, não é? Confira a seguir maneiras de contribuir. 

 
 
25º Jantar italiano do GRAACC: No próximo dia 25/10, quinta-feira, você não pode perder essa festa, que tem comida de primeira, shows e presença de famosos. O evento começa às 20h no Moinho Eventos, no bairro da Mooca, em São Paulo. Preços, atrações e endereços aqui.
 
 
 
Não+Pêlo: Você também pode ajudar na hora de fazer depilação :) A rede Não+Pêlo conta com mais de 300 unidades no Brasil e todas estão participando da campanha, doando parte de sua arrecadação no mês de outubro para o GRAACC. Mais informações aqui.
 
 
 
Chocolat du Jour: Os chocolates dessa sofisticada rede ficaram mais gostosos: durante todo o mês de outubro, 10% da arrecadação obtida com a venda dos produtos Casinha de Chocolate, Coruja Cofre e Choco Chaud Kit com 8 será revertido para a melhoria do hospital. Endereços das lojas e outras informações aqui.
 
 
 
Cartões de Natal: Já é tradição – todos os anos, o GRAACC lança uma coleção de cartões de Natal, ilustrados com muita criatividade pelos pacientes e suas mães. São vários modelos diferentes para você mandar para toda a família, e toda a venda é revertida para o hospital. Saiba como aqui.
 
Bazar permanente: Durante todo o ano, você pode comprar brinquedos, roupas, eletrônicos, artigos de decoração e utensílios usados por precinhos camaradas no bazar do voluntariado, que fica na Vila Clementino, perto do Metrô Santa Cruz, em São Paulo. E o bazar também aceita doações! Outras informações aqui.

Escrito às 14h50 do dia 22 de outubro de 2012

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Responda as perguntas a seguir, confira o resultado e descubra qual é o seu perfil no mundo do voluntariado
Texto: Rafaela Carvalho // Foto: iStock




1. Qual dessas atividades você prefere fazer no seu tempo livre?
a) Colocar a conversa em dia com amigos e familiares.
b) Ajeitar aquela porta desparafusada que sempre te incomodou em casa.
c) Arrumar as prateleiras de livros e revistas, além da pasta com contas do mês.
d) Explorar a cidade, conhecer espaços desconhecidos.

2. Quais dessas qualidades te definem melhor?
a) Sou didático e um bom ouvinte.
b) Sou disposto e ótimo para trabalhar em grupo.
c) Sou detalhista e organizado.
d) Sou curioso e desapegado de bens materiais.

3. O que você acha mais interessante no uso da internet?
a) A quantidade de informações que podemos encontrar em uma simples pesquisa.
b) Poder reunir milhares de pessoas em prol de alguma causa e convocar manifestações nas redes sociais com apenas um clique.
c) Poder hospedar documentos e informações, tendo acesso fácil e organizado a eles.
d) A facilidade de conhecer lugares do mundo tudo pesquisando imagens e pontos turísticos de qualquer país.

4. Imagine que há um projeto para a construção de uma entidade social para crianças no seu bairro, e que os organizadores estão recrutando voluntários para ajudar em diferentes áreas. Em qual delas você atuaria?
a) Organizaria uma campanha de arrecadação de livros e material escolar. Afinal, o local precisará de uma biblioteca.
b) O lugar ainda vai ser construído? Então eu tentaria mobilizar o comércio local para a doação de tijolos, cimento e outros materiais de construção.
c) Eu me ofereceria para ajudar com a documentação necessária para a entidade existir legalmente. Também poderia fazer as atas das reuniões.
d) Adoraria participar da organização de atividades para as crianças que ficariam ali: planejaria excursões e passeios. Poderia até ser o monitor da turminha.

5. O que é mais importante na formação de um cidadão?
a)
Antes de tudo, saber ler e escrever.
b)
Respeitar a diversidade e promover a inclusão social.
c) Conhecer como funcionam e para que servem os órgãos públicos, as leis e a política em geral.
d) Explorar o máximo de lugares pelo mundo e conhecer culturas diversas.

6. Durante a infância, o que era mais divertido para você?
a) Brincar de escolinha. Adorava desenhar em cadernos, brincar com uma lousinha...
b) Montar prédios gigantescos e coloridos com blocos de madeira e plástico.
c) Ler meus livros e gibis, um atrás do outro.
d) Sair para passear: andar de bicicleta, conhecer o zoológico, o parque...

7. O que você acha que seu filho deveria aprender de mais importante na escola?
a) A ler, escrever e ser criativo.
b) A trabalhar bem em grupo e entender o espírito de equipe.
c) A ser organizado e disciplinado.
d) A descobrir culturas e realidades diferentes daquelas que ele conhece no dia a dia.


Resultado
Qual é a letra que mais vezes aparece nas suas respostas?

"A": Educação e entretenimento
Sua paciência, persistência e companheirismo mostram que você gosta de se envolver diretamente com as pessoas que quer beneficiar. Você pode fazer isso de várias maneiras: dando aulas de reforço escolar, brincando com crianças da creche do seu bairro ou até mesmo visitando pacientes internados. Que tal começar a pesquisar creches, escolas, asilos e hospitais na sua comunidade, oferecendo-se para contribuir com o que eles estiverem precisando?

"B": Mão na massa
Você é o tipo de pessoa que arregaça as mangas e se envolve em mutirões, campanhas, triagem de doações. Prefere estar em grupo porque é assim que sente que está participando de uma grande transformação. Já pensou em contribuir na construção de casas para quem não tem onde morar? A ONG Um Teto Para Meu País faz justamente isso – e nem precisa ter experiência em construção para participar. Você também pode organizar arrecadações de alimentos na porta de supermercados, campanhas do agasalho ou pedágios solidários, e doar esses recursos para entidades em que confia.

"C": Atividades burocráticas
Discreto, você tem mais afinidade com a papelada. Prefere ficar no escritório, envolver-se com a burocracia, cuidar da parte administrativa, jurídica ou financeira. Nem sempre essas tarefas são muito valorizadas, mas elas são fundamentais para o funcionamento de qualquer entidade. Seus conhecimentos e habilidades podem ser muito úteis, mesmo que você não esteja atuando diretamente com o público beneficiado. Procure instituições com as quais você se identifique e ofereça-se.

"D": Mundo afora
Desprendido e curioso, o seu negócio é viajar e oferecer sua ajuda por aí. Você acha fundamental sair da zona de conforto e conhecer outros mundos além do seu. Agências de viagens e de intercâmbio podem te ajudar a encontrar uma atividade em um outro país que tenha tudo a ver com seu perfil (veja uma matéria sobre o tema no site Voluntariosonline.org). A Cruz Vermelha, que atua em áreas de risco no mundo inteiro, também é um bom caminho. Se você ainda é estudante, a Aiesec pode te ajudar a organizar um intercâmbio voluntário fora do Brasil.

 
Seja qual for o resultado do seu teste, não deixe de ver este post, que também faz parte do Guia do Voluntariado Sorria. Nele você confere mais de 30 links de instituições que precisam da sua ajuda e de sites que vão te ajudar a encontrar a ação social que tem mais a ver com seu jeito de ser
 
Colaboração: Vanessa Aguiar de Jesus (Instituto Voluntários em Ação) e Silvia Maria Louzã Naccache (Centro de Voluntariado de São Paulo)

Escrito às 15h19 do dia 04 de outubro de 2012

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Há quase quatro décadas, Dona Lea se dedica ao trabalho voluntário. Hoje, com 80 anos, ela ainda diz que tem muito a aprender
Texto: Rafaela Carvalho // Foto: iStock

 
Lea Della Casa Mingione é um exemplo de motivação. Já atuou como voluntária ajudando crianças com deficiência, é superintendente do voluntariado do GRAACC (hospital de câncer infantil que Lea ajudou a fundar, e que é beneficiado pela Sorria) e preside a Casa Ronald McDonald, instituição que oferece hospedagem às famílias de pacientes do GRAACC que saem de suas cidades para enfrentar o tratamento em São Paulo.

Parece coisa demais para uma senhora de 80 anos? Bom, para ela, essa é apenas mais uma forma de descobrir as lições que a vida tem para ensinar. Orgulhosa dos 37 anos de experiência como voluntária, Dona Lea conta abaixo quais são os maiores desafios, dificuldades e alegrias de quem resolve estender a mão para ajudar o outro.
 
Por que as instituições precisam de voluntários?
Ter voluntários trabalhando faz uma diferença enorme no ambiente. Eles chegam com uma grande vontade de trabalhar, com garra e muito amor para dar. Não é um trabalho fácil porque por vezes é preciso lidar com famílias desestruturadas, pessoas desmotivadas... mas quem é voluntário sempre está pronto para ajudar e dar o seu melhor, mesmo quando a situação é mais complicada.

Quais características a pessoa precisa ter para ser um bom voluntário?
O voluntário precisa ser disciplinado, responsável e organizado, já que, por vezes, ele também precisa cumprir um horário determinado. É preciso ter boa vontade para desempenhar um trabalho correto, e isso também inclui assiduidade. Quem é mais novo e faz faculdade, por exemplo, precisa saber organizar seus horários de estudo para não furar seus compromissos.
 
Lea Mingione, com Fernando Marques, vice-presidente do GRAACC; Sérgio Petrilli, superintendente médico, e Jacinto Guidolin, membro do Conselho e primeiro presidente do hospital (Foto: Claudine Luz)
 
Qual o maior desafio de quem se torna voluntário?
Há vários desafios. Os principais são: encontrar a área em que você pode trabalhar melhor; dar atenção e assistência para todos que dependem de você naquele momento; e o mais difícil: envolver-se e, ao mesmo tempo, saber separar a sua vida de voluntário da sua vida pessoal. Na hora de fazer algo pelos outros, os nossos problemas devem ficar da porta para fora.

Existe alguma coisa ruim em ser voluntário?
Às vezes é difícil deparar com os problemas dos outros e não poder fazer muita coisa. No meu caso, lidar com o câncer infantil sempre envolve a perda. Nunca vou me acostumar com isso. Quando a gente se torna voluntário, se apega muito às pessoas com quem convive. E lidar com as dificuldades dessas pessoas sempre é difícil.

Qual o retorno que um voluntário tem?
A forma de a pessoa pensar muda. Ela passa a entender que a vida é cheia de problemas e dificuldades, mas que nos ensina muito a partir das experiências que vivemos. Eu mesma, antes de ser voluntária, levava uma vida tranquila e despreocupada. Até superficial, eu diria. Quando perdi minha mãe e três dos meus irmãos para o câncer, aprendi uma lição para o resto da vida: enxergar as necessidades do outro e tirar aprendizados disso todos os dias. As pessoas que ajudo me ensinam que a vida é difícil, mas que sempre é possível seguir em frente.

Pesquisas dizem que o voluntariado faz bem à saúde. Você sente isso na prática?
Além de sentir uma disposição incrível, eu trabalho porque me sinto útil. Tenho pique para sempre querer ajudar mais. Nunca quero parar. Toda vez que vou ao médico, o que mais ouço é: "Que saúde irritante!", porque está tudo nos conformes. Trabalho o dia inteiro, tenho 80 anos e ainda acho que tenho muito o que viver.

Qual foi a experiência mais recompensadora que você já viveu como voluntária?
Quando comecei, há 37 anos, era chamada de tia. Hoje, sou a "vó" das crianças. Depois de tantos anos, fico emocionada quando algum ex-paciente traz os filhos para eu conhecer. Também tem uma ex-paciente que sempre é a primeira pessoa a me ligar no Natal, no meu aniversário e no Dia das Mães. É nessas horas que percebemos que passamos pela vida deixando um rastro, tornando-nos amigos e confidentes das pessoas que conviveram conosco.

Que recado você mandaria para quem pensa em ser voluntário?
Tem vontade de ser voluntário? Então vá experimentar. Procure a área do seu interesse, procure conhecê-la melhor. Se não der certo, não desista. Sempre há algum lugar precisando de ajuda, e qualquer tipo de trabalho feito com boa vontade é bem-vindo. São muitas áreas. Todo mundo pode se encaixar em alguma delas. O importante mesmo é ajudar.

Escrito às 14h57 do dia 04 de outubro de 2012

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Para trabalhar pelo bem dos outros não é preciso ser rico, pós-graduado nem ter tempo de sobra. Bastante variado, o perfil do voluntário brasileiro mostra que todo mundo pode fazer sua parte
Texto: Rafaela Carvalho // Foto: iStock
Quem é você, voluntário?

Cada vez mais brasileiros descobrem como faz bem dedicar parte do seu tempo e da sua disposição para ajudar os outros. 25% da população do país faz ou já fez trabalho voluntário. São homens e mulheres, de todas as classes sociais e idades, que estão percebendo que essa experiência não traz só gratidão ou alegria – ela também faz bem para a saúde: melhora o sono, diminui o estresse e até aumenta a expectativa de vida.

Abaixo, você descobre dez fatos sobre o trabalho voluntário, reunidos a partir de pesquisas recentes do Ibope, do Datafolha e de renomadas universidades. Quem sabe, assim, não surge uma inspiração para seguir o mesmo caminho de quem já se doa, por vontade própria e prazer, para o bem comum?

 
1. Voluntários são de todas as classes sociais. A maioria dos voluntários brasileiros não é rica: 60% deles vêm das classes C, D e E. Em 2001, a porcentagem era praticamente invertida: 58% dos voluntários vinham das classes A e B. Uma década depois, quem se destaca é a classe C, cuja participação passou de 33% para 43%.
 
2. Maior ou menor escolaridade. Apenas 20% dos voluntários brasileiros têm o ensino superior completo. Além disso, um em cada dez voluntários no país é analfabeto ou estudou apenas até a 3ª série do ensino fundamental. Ou seja: não é preciso grande conhecimento específico para ajudar quem precisa.
 
3. Do adolescente ao idoso: os voluntários brasileiros estão bem distribuídos por todas as faixas etárias. A idade média é de 39 anos. Um terço está abaixo dos 30 anos – grupo que compreende, inclusive, menores de idade. 12% têm mais de 60 anos.
 
4. Sem muito tempo livre. No Brasil, 51% dos voluntários trabalham em período integral, e outros 14% cumprem expediente de meio período. Outro dado importante é que 62% dos voluntários têm filhos. Juntando essas informações, nota-se que, mesmo com diversas tarefas diárias com que se preocupar, o brasileiro não deixa de exercer atividades pelos outros, ainda que não seja pago para fazer isso.
 
5. Movido pela solidariedade. Quando questionados a respeito do porquê de exercer uma atividade voluntária, 67% dos brasileiros respondem que fazem isso movidos pelo desejo de ajudar o outro de alguma forma. 32% dizem que querem fazer diferença e melhorar o mundo por meio de suas ações. Há também quem se torne voluntário para conhecer pessoas diferentes, melhorar a autoestima ou até desenvolver novas habilidades.
 
6. Cuidar de outras pessoas é prioridade. 97% dos voluntários brasileiros têm como principal preocupação dar assistência a outras pessoas – especialmente a crianças e adolescentes, idosos e pessoas com deficiência. As ações voluntárias dos 3% restantes são voltadas para o meio ambiente e para os animais.
 
7. Para construir um país melhor. 83% dos brasileiros veem o trabalho voluntário como uma atividade de grande importância para melhorar o país. Para essas pessoas, tornar-se voluntário deixou de ser apenas uma boa ação que se faz para aliviar a consciência ou gastar tempo livre. Também é uma ferramenta estratégica na luta pela cidadania e pela inclusão social.
 
8. Injeção de ânimo. 77% dos voluntários brasileiros se dizem totalmente motivados a dar continuidade à atividade que exercem. O destaque vai para duas categorias em especial: no grupo acima de 50 anos, essa porcentagem aumenta para 83%; e nas classes D e E, sobe para 86%.
 
9. A religião mobiliza. No Brasil, 49% dos voluntários atuam em atividades realizadas pelas instituições religiosas que frequentam. Outras entidades que tradicionalmente organizam esse tipo de trabalho são órgãos de assistência social, associações de bairro e instituições de educação e saúde.
 
10. Faz bem para a saúde. Ser voluntário diminui o estresse, a insônia, a depressão, as úlceras e as dores de cabeça. Além disso, pesquisas feitas pelas Universidades de Michigan e Cornell apontam que quem se dedica ao trabalho voluntário vive mais. A explicação estaria na melhoria da qualidade de vida, graças à interação social e ao comprometimento com uma causa.

 


Escrito às 14h39 do dia 04 de outubro de 2012

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Responda as perguntas, descubra o tamanho do impacto ambiental que você causa ao preparar suas refeições e veja dicas para tornar essa tarefa mais verde
Texto: Jéssica Martineli e Dilson Branco // Foto: Angelina :)

 

Cada simples ação na cozinha, entre guardar as compras e livrar-se das sobras, pode causar danos em diferentes níveis ao meio ambiente. Quanto você se preocupa com isso no seu dia a dia? Quão ecológico você é entre a pia e o fogão?.

Responda as perguntas a seguir e anote suas respostas. No fim da página, você confere o resultado do teste – e também uma breve explicação para cada questão, indicando a melhor saída.


1. Quando vai às compras, você prefere...
a) alimentos frescos e produzidos perto da sua região.
b) enlatados.
c) congelados.


2. Como você descongela alimentos?
a) Naturalmente, à temperatura ambiente.
b) Descongela e esquenta no micro-ondas.
c) Descongela no micro-ondas e depois leva ao fogo para esquentar.


3. Na hora de cozinhar, você...
a) procura sempre usar a panela de pressão.
b) usa panela normal e aumenta a chama do fogo para o cozimento ser mais rápido.
c) usa panela normal, deixando-a tampada e baixando o fogo após o começo da fervura.


4. Sobrou comida. Como você a acondiciona?
a) Em embalagens de vidro reaproveitadas.
b) Em recipientes novos, comprados para isso.
c) Em embalagens de plástico reaproveitadas.


5. E aquele restinho de comida que não dá para reaproveitar? O que você faz com ele?
a) Joga na composteira.
b) Joga no saco que você usa para todo tipo de lixo.
c) Às vezes, dá para o cachorro.


6. O que você faz com embalagens vazias, como uma garrafa de refrigerante ou uma compota de geleia?
a) Reutiliza.
b) Joga no lixo comum.
c) Envia para a reciclagem.


7. Pra lavar a louça, você prefere:
a) bucha vegetal.
b) esponja normal.
c) esponja ou palha de aço com selo sustentável.


8. A pia entupiu! O jeito é ...
a) usar água fervente e o desentupidor.
b) desentupir com a ajuda de produtos químicos.
c) chamar o encanador.


9. Na sua casa, o óleo que sobra das frituras é ...
a) separado em uma garrafa vazia e levado à reciclagem.
b) jogado no ralo.
c) descartado em um vaso com terra, para não contaminar as águas.


10. Para iluminar sua cozinha, você...
a) opta por lâmpadas fluorescentes, de preferência compactas.
b) usa lâmpadas incandescentes.
c) não lembra o tipo de lâmpada que usa, mas sempre evita deixá-la acesa sem necessidade.

 

Resultado
Qual é a letra que mais vezes aparece nas suas respostas?

"A": Cozinha verde
Parabéns! Sua cozinha é um exemplo de sustentabilidade. Pode até dar mais trabalho, mas o resultado faz bem ao planeta e à sua saúde. Tente passar adiante as informações e técnicas que você conhece, estimulando mais pessoas a agir assim.

"C": Sinal amarelo
Você se preocupa em ser sustentável, mas ainda pode melhorar. Se já tem a boa intenção, meio caminho está andado. Talvez só falte um pouco mais de empenho. Leia as demais matérias deste guia e inspire-se a fazer ainda mais pela natureza!

"B": Alerta vermelho
Você parece não levar nem um pouco em conta a questão da sustentabilidade na sua cozinha. Mas, se fez esse teste, parece disposto a mudar, não é? Comece lendo as demais matéria deste guia. E que tal um desafio? Responda novamente as perguntas daqui a um mês e veja se o seu resultado melhora!

 

Onde foi que eu errei?
Confira uma breve explicação sobre cada pergunta, analisando as melhores alternativas de resposta

1. Alimentos frescos e locais são a melhor opção, pois gastam menos energia na produção e no transporte até o ponto de venda. A vantagem dos congelados é a durabilidade: você diminui suas idas ao mercado, as quais, quando feitas de carro, emitem poluentes na atmosfera. Os alimentos industrializados costumam ser a pior alternativa, pois, quanto mais complexo o processo de produção, mais provável que seja poluente e que envolva ingredientes nocivos à saúde.

2. Quanto mais você usar o micro-ondas, mais eletricidade gastará. O fogão poupa luz, mas gasta gás. O ideal é que o descongelamento ocorra naturalmente, evitando o desperdício desses recursos – além disso, o alimento mantém mais sabor, textura e nutrientes. Basta se programar para tirá-lo do congelador com antecedência.

3. O melhor é usar panela de pressão, que cozinha mais rápido, economizando gás. Se você não tiver uma, a alternativa mais sustentável é tampar a panela e, após o começo da fervura, baixar o fogo. Deixe a chama no menor nível suficiente para manter a água borbulhando. É que, numa panela normal, enquanto a água está em ebulição, sua temperatura se mantém em 100 ºC. Ou seja: deixar a chama no máximo não vai aumentar a temperatura nem tornar o cozimento mais rápido – vai servir só para desperdiçar gás!

4. Reutilizar embalagens é uma boa alternativa para acabar com o excesso de lixo. Porém, alguns tipos de plásticos podem interferir no sabor e na qualidade dos alimentos. Prefira recipientes de vidro.

5. A composteira, ou minhocário, é a alternativa mais sustentável. Ao depositar os restos de lixo orgânico nesse tipo de equipamento, você diminui a quantidade de resíduos enviados ao aterro sanitário ou, pior ainda, ao lixão da sua cidade. E, ao serem decompostos pelas minhocas, seus restos de comida viram um ótimo adubo. Misturar esse lixo aos materiais recicláveis é a pior opção, pois o lixo limpo precisa estar separado para ser reaproveitado.

6. Ao reutilizar uma embalagem várias vezes, você evita comprar potes novos, poupando os recursos da natureza. Reciclar também é uma opção sustentável – mas, se puder reutilizar a embalagem antes disso, melhor ainda. Jogar no lixo comum é lançar à natureza um item que levará vários anos para se decompor.

7. Produtos vegetais, que não demoram tanto tempo quanto o plástico para se decompor, sempre agridem menos a natureza. Na falta, procure por itens com algum selo que indique que há preocupação ambiental na sua fabricação.

8. O ideal é evitar ao máximo produtos químicos, que poluem a água ao cair na rede de esgoto. Resolver o problema com soluções caseiras é sempre mais sustentável. (veja várias dicas nesta matéria)

9. O óleo de cozinha, ao cair na rede de esgoto, polui a água de córregos, rios e mares. O problema acontece mesmo se você misturá-lo com detergente, não tem jeito. O ideal é reciclá-lo. Acomode-o em garrafas e leve-o a pontos de coleta, como os do Instituto Triângulo, no estado de São Paulo. Informe-se na prefeitura da sua cidade sobre outras entidades que fazem esse trabalho.

10. Lâmpadas fluorescentes compactas duram cerca de 15 vezes mais do que as lâmpadas tradicionais e consomem até 75% menos energia. As incandescentes são a opção menos eficiente. Além do tipo de lâmpada é preciso ficar atento ao modo de uso: sempre que possível, mantenha-as apagadas, para evitar desperdício.


Escrito às 12h03 do dia 15 de agosto de 2012

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Texto: Dilson Branco e Jéssica Martineli // Foto: Darrell Berry

 

Muita gente já percebeu que tornar a vida mais sustentável pode ser fácil, divertido e econômico. E não precisa ser uma transformação radical. Pode acontecer aos poucos: mudamos um hábito hoje, que acaba puxando outro novo costume depois, e assim vamos desbravando as vantagens de um comportamento mais consciente. Aprender com o exemplo dos outros é uma ótima maneira de alimentar essas descobertas. Confira alguns depoimentos de pessoas que estão trazendo a preocupação com a ecologia para o dia a dia e inspire-se a também se tornar mais verde!!


"Procuro reaproveitar os alimentos da melhor forma – já cheguei até a fazer recheio de bolo com a parte branca da melancia. Para poupar água, costumo ensaboar toda a louça e só no fim abrir a torneira para enxaguar. Também optei por grandes janelas para a entrada de luz natural, economizando energia elétrica."
Lucí Mara Paiotti, 57 anos, engenheira de São José dos Campos (SP).


"Nas lixeiras de casa, em vez de sacolas plásticas, uso saquinhos de folha de jornal, que se decompõe bem mais rápido. É bem fácil de fazer (veja aqui). O mesmo raciocínio serve para a hora de assar alimentos no forno: no lugar do papel alumínio, uso papel manteiga, que cumpre a mesma função e, quando vira lixo, demora menos para se degradar."
Juliana Valentini, 38 anos, desenhista industrial de Holambra (SP).


"Tenho um minhocário. No começo é meio nojento, mas depois você se acostuma. Hoje penso nas minhoquinhas quase como animais de estimação! Elas dão conta de praticamente todo o lixo orgânico que eu produzo. E também estou tentando diminuir os resíduos recicláveis: prefiro produtos a granel, não compro nada que venha naquelas bandejinhas de isopor e reaproveito até os saquinhos de plástico da feira ou da quitanda. Levo-os às compras para colocar verduras, frutas e legumes que precisam ser pesados."
Raquel Wan, 36 anos, jornalista de Curitiba.


"Desde que minha filha de 4 anos começou a ter aulas sobre meio ambiente na escolinha, eu e meu marido nos sentimos obrigados a mudar alguns hábitos em casa. Hoje, por exemplo, separamos o lixo reciclável. E ela fica fiscalizando se estamos fazendo da forma certa. Se vê que alguma garrafa plástica foi parar no lixo comum, nos dá bronca!"
Aline Miranda, 30 anos, assistente administrativa de Mauá (SP).


"Meu hábito é 'preciclar' o que compro, ou seja, avaliar de antemão os resíduos que os produtos vão gerar e optar pelos mais sustentáveis. Também dou preferência a fabricantes com consciência ecológica e social. Além disso, sempre desligo os eletrodomésticos de casa enquanto não estão sendo utilizados."
Lucio Silva, 32 anos, gerente de marketing de São Paulo.


"Costumo usar casca de ovo como adubo. Às vezes, também utilizo cascas de frutas e de legumes. Vai tudo para minha hortinha caseira de temperos. Quando preciso comprar uma hortaliça, prefiro as orgânicas."
Berenice de Siqueira Rabello, 62 anos, aposentada de São José dos Campos (SP).


"Guardo o lixo orgânico, como sobras de comida, para enterrar no jardinzinho em frente de casa. E os materiais recicláveis, separo por tipo: papelão, latinhas etc. Assim, facilito a vida dos catadores que passam na minha rua, que recolhem tipos específicos de lixo limpo."
Lucinda Fernandes Rosa, 58 anos, dona de casa de São Paulo.


"Participei de um cursinho rápido, de algumas horas, sobre como aproveitar integralmente os alimentos. Hoje, faço arroz com caldo de cozimento de legumes, sucos e doces com cascas de frutas e várias outras receitas deliciosas. Uma delas é assim: pego vários pedacinhos do miolo do abacaxi, que muitos não gostam, misturo com fatias daquela maçã que ficou um pouco escurinha, cozinho bastante e coloco canela, cravo e um pedacinho de gengibre. Dá um chá delicioso!"
Maria Helena Sampaio Sarti, 50 anos, atendente de São Paulo.


Escrito às 12h02 do dia 15 de agosto de 2012

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Encontrar alimentos orgânicos e cozinhar de maneira sustentável pode ser mais fácil com a ajuda da internet. Confira!
Texto: Dilson Branco e Jéssica Martineli // Foto: foxxyz

 

Se o mercado próximo à sua casa não oferece itens produzidos com responsabilidade ecológica e social, você pode encontrá-los por meio de sites de iniciativas que prosperam em várias partes do país. Ao colocar os consumidores em contato com pequenos produtores, esses projetos facilitam a vida de quem quer ter à mesa um cardápio sustentável. Confira uma seleção de portais que oferecem esse tipo de serviço – e também dois cursos para você aprender a plantar em casa e a desperdiçar o mínimo de cada ingrediente..


O Bom Verdureiro (clique aqui)
Com lista de produtores certificados e grande variedade de produtos, O Bom Verdudeiro entrega seus produtos orgânicos em 65 bairros de São Paulo. É possível optar por cestas prontas ou escolher os produtos um a um.


Caminhos da Roça
(clique aqui)
Para quem mora em São Paulo, o site disponibiliza mais de 500 produtos orgânicos, como pães, frutas, verduras, legumes e temperos – além de itens de higiene, como xampus, e produtos de limpeza.


Alimento Sustentável
(clique aqui)
Funciona como uma ponte entre pequenos produtores sustentáveis e consumidores interessados em uma compra socialmente responsável. Oferece hortifrutigranjeiros, laticínios e pescados de regiões próximas a São Paulo.


Sítio A Boa Terra
(clique aqui)
Recebe pedidos pela internet e faz entregas de cestas de produtos orgânicos em São Paulo e em várias cidades do interior do estado. Dá para escolher entre opções com frutas, verduras e legumes, ou mesmo comprar produtos prontos, como pães e biscoitos.


Rede Ecológica
(clique aqui)
Por meio de um cadastro, é possível participar de compras coletivas de produtos orgânicos e frescos. As entregas acontecem semanalmente em pontos pré-definidos, nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Seropédica. A rede também realiza visitas aos produtores.


Rede Terra Viva
(clique aqui)
Em Belo Horizonte, realiza feiras de alimentos agroecológicos, orgânicos e artesanais. Também é possível adquirir os produtos por meio dos grupos de compras (o consumidor recebe por e-mail a lista de itens disponíveis e seleciona o que quer) ou dos núcleos de consumo (grupos de pessoas – vizinhos, colegas de trabalho, amigos... – que se organizam para pedir coletivamente).


Orgânica Shop
(clique aqui)
Na região de Londrina (PR), as cestas de frutas, verduras e legumes chegam por bicicleta – mais um cuidado com o meio ambiente. Produtos não-perecíveis, como cereais, doces, itens de limpeza e até utensílios fabricados de maneira sustentável são entregues em todo o país.


Rota dos Orgânicos
(clique aqui)
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), em parceria com o Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor e outras organizações que apoiam a comercialização agroecológica, mapeou locais e horários de feiras orgânicas por todo o país, com o cuidado de identificar os principais alimentos comercializados e os mecanismos de comprovação da origem orgânica.


Horta em casa
(clique aqui)
Se além de comprar, você gostaria de plantar seus próprios alimentos orgânicos, uma boa dica em São Paulo é conhecer os cursos desenvolvidos pela Escola de Jardinagem da Prefeitura. A oficina "Como fazer uma horta", por exemplo, tem turmas no decorrer de todo o ano e é gratuita.


Cozinha Brasil
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Depois de comprar ou colher seus alimentos orgânicos, o ideal é aproveitá-los da melhor forma possível. Para isso, que tal contar com a ajuda do programa Cozinha Brasil, do Serviço Social da Indústria (Sesi)? Realizado em todo o país, o programa ensina a preparar refeições de forma inteligente, sem desperdício.


Escrito às 12h01 do dia 15 de agosto de 2012

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Da redação // Foto: Ilana Bar



Muita animação e histórias para contar. Esses foram os elementos principais que fizeram o Circuito Ayrton Senna de Juventude 2011, evento que reuniu jovens das 122 cidades que participam do Projeto SuperAção Jovem, no hotel fazenda Colina Verde, em São Pedro (SP). O Circuito Ayrton Senna promove esse encontro entre jovens alunos e gestores, para encerrar o ano de atividades. O evento tem como principal meta promover a troca de ideias entre os participantes do SuperAção sobre o que desenvolveram em suas escolas. Juntos, descobrem novas abordagens, pontos positivos, negativos e vitórias alcançadas. E tudo isso com muita diversão. A tarde foi dedicada a apresentações e agradecimentos aos parceiros que tornam possível o programa que, esse ano, atendeu a quase 124 mil alunos.

Aproximadamente 250 jovens - alunos de 7a. e 8a. séries dos Projetos Escola de Tempo Integral e Sala de Leitura da SEE/ SP, e das redes municipais de São Roque, Bebedouro e Itatiba - levaram toda a energia para as oficinas realizadas durante dois dias de evento. Também aprenderam um pouco mais sobre o que é ser um protagonista jovem. A Sorria e a Droga Raia estiveram lá, orgulhosos de ver o produto de seu trabalho transformado em alunos e professores que fazem uma educação pública brasileira bem melhor!

Para conferir mais sobre o Circuito, acesse o orkut do evento clicando aqui.


Escrito às 16h06 do dia 16 de dezembro de 2011

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Texto: Tissiane Vicentin // Imagem: Divulgação

Aos 4 anos de idade, Thays Martinez perdeu a visão. Teve uma rara complicação com o vírus causador da caxumba e precisou se adaptar ao mundo. Cresceu sonhando com  um companheiro que pudesse levá-la aos mais diversos lugares. Mas esse pedido foi negado diversas vezes. Até que no ano de 2000, aos 26 anos de idade, finalmente a sorte bateu na sua porta. Thays poderia ter seu tão sonhado parceiro: um cão-guia.

Essa é a história que conta o livro "Minha vida com Boris" (Editora Globo), publicado em agosto. Thays, que mora em São Paulo, descreve com beleza a amizade com seu primeiro cão-guia e a luta que teve que enfrentar, durante seis anos, para permitir que cães-guia pudessem ser aceitos em qualquer lugar.

 

 


Thays Martinez ao lado do seu primeiro cão-guia, Boris


Confira a seguir a entrevista realizada para a Revista Sorria. E descubra um pouco mais sobre essa linda história de vida:

Cães-guia não eram muito conhecidos no Brasil,  na época em que você trouxe o Boris. Por conta disso, você sabia que ia enfrentar dificuldades por aqui?
Thays - Em 2000 eu e mais duas amigas começamos uma busca por escolas de cão-guia de todo o mundo que aceitassem estrangeiros. Recebi uma resposta da Leader Dogs, nos Estados Unidos. Eles haviam acabado de fechar uma parceria com o instrutor brasileiro Moisés Vieira e, depois de diversos testes, fui uma das 4 brasileiras selecionadas. Naquela época não havia escolas de cães-guia no Brasil. Antes de buscar o Boris na Leader Dogs, eu sabia o que enfrentaria por aqui. As pessoas não iriam se acostumar com um cão entrando no metrô, por exemplo, de um dia para o outro. Mas não achei que seria um grande problema.
 

Quando entrou no metrô pela primeira vez, você foi barrada. Depois de contar que seu cão não era um simples labrador, e sim um cão-guia, deixaram-na passar. Mas só até a plataforma, quando foi barrada novamente. Essa cena se repetiu várias vezes. Qual foi a sensação?
Thays - Passei por vários estágios: a primeira vez que eu fui barrada ao entrar com o Boris no metrô, achei normal. Afinal, era uma novidade cães-guia por aqui. Depois do quarto funcionário e do departamento jurídico me pararem, percebi que havia algo errado. A constituição federal garante por lei o direito de ir e vir de cada cidadão. Fiquei indignada! A forma como foi conduzido todo o processo se deu de uma maneira muito desrespeitosa, mas no final valeu a pena a luta!
 

Depois toda essa repercussão e muita luta, foi criada e aprovada uma lei para que cães-guia pudessem ter acesso a todo e qualquer lugar público e privado de uso coletivo. Você, ainda hoje, é barrada em algum lugar?
Thays - Hoje é bem raro, mas acontece de ser barrada ainda em alguns restaurantes, mas sempre acaba se resolvendo rápido. A lei facilitou muito essa parte e acredito que, em breve, não haverá mais resistências. A imprensa também teve papel fundamental para que obtivéssemos esse sucesso.
 

Na sua opinião, todos os deficientes visuais deveriam ter um cão-guia?
Thays - Todos deveriam ter a possibilidade de ter um cão-guia. Só porque foi bom pra mim, não quer dizer que sirva para outras pessoas.
 

Se eu quiser ter um cão-guia, como faço?
Thays - O interessado pode se inscreve pelo site do Instituto de Responsabilidade Social (IRIS). Depois de rigorosamente analisada a ficha, ele recebe um primeiro contato para serem realizadas entrevistas. Elas servem para saber se a pessoa está apta para ter um cão e se o cão tem o perfil de que o usuário necessita. Assim formamos os times (usuário e cão-guia).
 

Nos primeiros anos de vida, um cão-guia precisa ser socializado, antes de se tornar um guia para deficientes visuais. Quem faz isso é uma primeira família ou pessoa. Quais os requisitos para ocupar esse cargo?
Thays - A primeira família, ou pessoa, fica responsável por levar o filhote a todos os lugares possíveis, para que ele possa se adaptar ao movimento da cidade. A pessoa tem que, principalmente, ter disponibilidade de tempo e estar preparada para enfrentar certas barreiras. Entrar em lugares fechados - como restaurantes, shoppings, etc. - com um filhote ainda é um desafio, as pessoas ainda não entendem. Nesse caso, a lei não basta.
 

Porque você decidiu escrever o livro?
Thays - Sempre tive vontade de escrever um livro por dois motivos. Primeiro porque eu queria que fosse um meio de conversar com a sociedade. Segundo, porque foi a forma que encontrei para homenagear meu amigo. 

O que o Boris te ensinou?
Thays - Além de toda a história de superação, de mudar aquilo que se critica, o Boris me mostrou o verdadeiro sentido da palavra amizade, de ser parceiro, de trabalhar em equipe. De levar a vida com mais leveza. Me ensinou a ir além.
 

Você espera que seu livro possa inspirar outras pessoas?
Thays - Gosto de acreditar que ele possa mostrar não só essa questão da deficiência, mas também a cidadania. Quando algo desse tipo dá certo, renovam-se as esperanças de que a gente pode fazer algo para transformar. Isso é cidadania, esse papel ativo de cada um adotar uma questão para si e lutar por ela. Espero que meu livro possa ser inspiração para muitas pessoas, para que elas não desistam daquilo que acreditam ser justo. Independente da história deles ser parecida ou não com a minha, se ela usar meu exemplo para ganhar forças e seguir lutando com a sua causa, já fico muito feliz.

 


Thays Martinez nasceu em janeiro de 1974. Formada em direito pela Universidade de São Paulo, com especialização em direito penal e interesses transindividuais, foi conselheira do Conselho Nacional de Assistência Social e mebro da comissÃo de Direito das Pessoas com Deficiência da OAB. Fundadora do Iris (Instituto de Responsabilidade Social), é palestrante na área de direito e autora do blog www.eueeles.com.br

Boris nasceu em Rochester, em Michigan, Estados Unidos. Labrador amarelo, passou boa parte de sua infância em uma escola infantil para humanos. O que viria justificar sua paixão por crianças, bem como certas excentricidades, como gostar de dormir coberto e com travesseiro. Estudou em escolas de primeira linha, como a tradicional Leader Dogs for the Blind (Cães-guia para o cego, em tradução livre), o que acabou lhe propiciando o convite para trabalhar no Brasil. Tinha por hobby tirar tampas de garrafas e gostava de correr e beber água de coco. Sua única superstição era, a cada refeição, deixar um único grão de ração em sua vasilha.

As biografias acima foram retiradas do livro "Minha Vida com Boris" (Editora Globo, 2011).


Escrito às 15h29 do dia 04 de novembro de 2011

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