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Mitos e verdades sobre o clima

Na seção Proteger da Sorria 22 falamos um pouco sobre como a mudança de clima pode influenciar na saúde - ou a falta dela - do nosso organismo. Para completar a lista, separamos algumas dúvidas comuns sobre essa tal influência. Será que sair no vento depois do banho entorta a boca? Por que será que eu tenho mais sono no inverno e mais preguiça no verão? Será que o tempo tem alguma relação com isso? E sair no frio com o cabelo molhado dá resfriado? Essas e outras perguntas você confere a seguir!
Choque térmico baixa imunidade?
Não. Um exemplo típico de choque térmico é a sauna e, no entanto, não há relato de pessoas que tenham a imunidade diminuída por isso. "O que ocorre com o choque térmico é uma contração dos vasos no frio e depois a dilatação no calor. Isso pode até, inclusive, causar uma sensação de bem-estar, mas não abaixar a imunidade", explica Chin An Lin, professor colaborador do Departamento de Clínica Medica da Universidade de São Paulo (USP).
Ar condicionado ajuda a transmitir vírus e bactérias?
Em algumas situações, sim. "Alguns fungos e bactérias podem viver no sistema de condução de ar condicionado e, dessa forma, se espalham facilmente em ambiente fechado", afirma Chin. Se o filtro do ar condicionado não for limpo ou substituído regularmente, ele pode se tornar um criadouro de bactérias e fungos com bastante facilidade. Além disso, "o ar condicionado desidrata o ar e resseca o muco protetor que reveste as vias aéreas. O ressecamento da superfície do epitélio respiratório destrói anticorpos e enzimas que atacam germes invasores, predispondo-nos às infecções", afirma médico Drauzio Varella, em seu site.
Sair no frio com cabelo molhado dá resfriado?
Não. "Não há provas científicas. O que provoca resfriado é uma infecção viral", afirma Chin. A umidade esfria o corpo mais rapidamente, mas ninguém se resfria por não se agasalhar no frio, sentar ou dormir em frente a uma corrente de ar ou sair com o cabelo molhado. A maioria dos resfriados são causados por rinovírus que se encontram em gotículas invisíveis presentes no ar que respiramos ou nas coisas que tocamos. Existem mais de 100 rinovírus diferentes que conseguem penetrar no nariz e garganta causando uma reação do sistema imunológico capaz de provocar dor de garganta, cabeça ou dificuldade de respirar pelo nariz.
Golpe de vento depois do banho quente entorta a boca ou dá cãibras?
Não. "A paralisia facial periférica, causada por uma infecção viral que atinge o nervo facial, acontece de forma súbita", explica Sérgio Barata, neurocirurgião da Faculdade de Medicina da USP. Ou seja, não é por causa do vento soprando. O mesmo raciocínio vale pra quando a pessoa se olha no espelho e é acometida por uma paralisia súbita. Daí vem o mito de que ser atingido por réstias de sol refletidas em superfícies metálicas entortam a boca. Já a cãibra é uma contração muscular. O que acontece é que, num golpe de frio, nossos músculos tendem a se contrair naturalmente e isso pode gerar cãibras.
O inverno dá sono?
Pode se dizer que sim. No inverno há menos luminosidade durante o dia, o que pode gerar uma alteração na produção de algum hormônio, como a melatonina. Estes hormônios são capazes de alterar o humor e até causar mais sono. "Além disso, as condições climáticas no frio nos fazem querer ficar em ambientes mais confortáveis, como a cama, e acabamos dormindo mais", afirma Leandro Valiengo, psiquiatra do Centro de Acupuntura da USP.
Pegar vento com corpo molhado dá dor de ouvido?
Não. "A dor de ouvido manifesta-se quando existe uma inflamação ou infecção no local, causadas por um vírus, uma bactéria ou um corpo estranho", argumenta Willy Akira Nishizawa, médico clínico e docente da USP.
Sereno faz mal?
Por si só não. Gripes e resfriados acontecem com maior frequência no inverno, já que os vírus tornam-se mais resistentes. No entanto, isso não significa que a baixa temperatura de noite ou de madrugada cause doenças. Para que o resfriado aconteça é preciso que o vírus esteja presente no ar.
No inverno, a gente fica mais doente?
Mais ou menos. Durante o inverno há a tendência de ficar mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados. "Isso facilita a circulação de agentes patológicos, como vírus, o que pode aumentar a incidência de doenças como resfriados e viroses", explica Eduardo D'Alessandro, clínico geral e docente da USP.
Calor dá mais preguiça?
Dependendo da situação, sim. O calor leva a uma vasodilatação, que causa queda da pressão arterial. "Além disso, há aumento da sudorese para resfriar o corpo e liberação de hormônios para evitar a perda de líquidos pelo rim. Isso tudo pode ocasionar a sensação de preguiça", afirma o psiquiatra Leandro Valiengo.
Os cabelos caem mais quando muda a estação?
Mais ou menos. "A queda de cabelo pode variar dependendo da estação do ano, pois no inverno o banho costuma ser mais quente, aumentando a oleosidade do couro cabeludo e a seborréia, o que causa a queda dos fios", explica a dermatologista Marcia Maria Ozaki Reguera. É normal perder cerca de 100 fios de cabelo por dia. Entretanto, problemas hormonais, certas infecções (causadas por fungos no couro cabeludo) e alguns medicamentos podem causar queda excessiva de cabelo. Outros fatores que levam a este distúrbio, incluem stress, dieta pobre em proteínas, histórico familiar ou má nutrição.
Escrito às 15h36 do dia 14 de outubro de 2011

















































