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Haja coragem!
Texto: Da redação // Foto: Matt Francis

Na seção Amar da Sorria 24 você conferiu um punhado de depoimentos sobre coragem. Leitores que tiveram algo ou alguém em suas vidas e que a transformaram de uma maneira única. Aqui você confere mais alguns relatos emocionantes de pessoas que tiveram a oportunidade de mudarem para melhor!
Conheci o Thiago, em 2003, e logo nos primeiros dias, ele disse que me amava. Achei estranho, pois ele tinha uma péssima fama de baladeiro e pessoa instável. Conhecendo a história dele, minha família foi contra nossa relação. Mesmo assim, ficamos juntos. Eu o encontrei escondida por quase um ano, até que um tio meu faleceu. Foi aí que minha família repensou seus valores e decidiu aceitar minha escolha. Casamos e, hoje, estou esperando nossa terceira filha. Fui contra tudo e contra todos por este amor e posso dizer que venci por acreditar que seria possível.
Andréa Cezário Morales, 31 anos, Taboão da Serra (SP)
Eu e um grupo de amigos queríamos construir novas formas de educar. Em 2010, tivemos a ideia de fazer centros de cultura e educação em prédios desativados, abandonados pela prefeitura de São Paulo e ocupados por pessoas sem moradia. Começamos em um edifício na Avenida São João e, como o trabalho é experimental, tivemos que lutar para ganhar a confiança dos moradores. Alguns achavam que estávamos nos aproveitando de sua situação. Nosso principal resultado é que hoje temos uma biblioteca onde dou aulas, faço atividades de arte e cultura com as crianças e, graças à ajuda financeira de um admirador do trabalho, tornei-me uma funcionária assalariada do lugar. Depois de dar a cara a tapa, construí relações que vão muito além do trabalho.
Fernanda Oliveira, 23 anos, São Paulo (SP)
Eu era funcionária pública, divorciada e com dois filhos pequenos quando larguei meu emprego fixo, em um cargo efetivo, para me arriscar em um negócio próprio. Por causa disso, também precisei mudar pra uma cidade maior. E deu certo! Valeu a pena. Voltei a estudar, terminei minha graduação e já emendei uma pós. Hoje, tenho que recusar alguns clientes por falta de tempo. Sempre digo que você precisa é começar. Se vai dar certo ou não, é uma outra história! Você precisa primeiro tentar.
Janilde Maria Lenzi, 51 anos, Rio do Sul (SC)
Eu era funcionária dos Correios quando decidi fazer doces para incrementar a renda. Descobri um talento e uma paixão. Então resolvi largar meu emprego para me dedicar à empresa que montei. Eu acreditava que aliando minha arte à produtos de qualidade eu poderia realizar o meu sonho de viver dos doces. Mas as dificuldades para chegar ao público ou em lidar com a burocracia de uma empresa quase me levaram a desistir. Eu me perguntava por que lutava tanto. Depois de 22 anos, sou muito realizada e amo o meu trabalho. Cada vez que alguém elogia o sabor do que faço, me realizo ainda mais. Minha vida é um doce!”
Louzier Lessa, 47 anos, Cordeiro (RJ)
Sempre gostei de maquiagem, mas ser maquiadora nunca foi uma opção profissional e acabei me formando em comércio exterior. Trabalhei por cinco anos na área e um dia me vi insatisfeita e infeliz. Era fim de ano e umas amigas pediram que eu as maquiasse para uma festa. Foi quando uma delas disse que eu deveria largar tudo para viver disso. Meu chefe achou que eu estava maluca quando pedi demissão e decidi estudar maquiagem, em 2001. Hoje, sou maquiadora e sei que fiz a escolha certa.
Isabela Turcato, 34 anos, São Paulo (SP)
Há anos eu e um amigo não nos víamos e, um dia, ele veio me buscar para um passeio. Chegamos ao local: o teleférico. Tenho muito medo de altura. Subimos e, quando faltavam 10 minutos para terminar o trajeto da ida, a máquina resolveu parar. Confesso que tive vontade de me jogar, pois o desespero me tomou. Comecei a rezar e, assim, conter o medo, pois eu estava ao lado de uma criança. Precisei ter força e coragem para ir até o fim. Não via a hora de voltar para o chão, só pensava em terra, solo. Quando o passeio terminou, meu amigo disse: "Vamos fazer outro mais radical". Só de lembrar da imagem, meus batimentos cardíacos aceleram.
Neila B. Pereira, 49 anos, Santos (SP)
Ainda criança, talvez com uns 10 anos, eu vivia lendo dicionários de inglês e tentava decifrar palavras em músicas. Sempre quis aprender mais. Acabei me formando em Letras e queria tentar a sorte no exterior. Naquela época, conseguir bolsa de estudos e fazer intercâmbios era quase um milagre. Mandei cartas, mas nunca deu em nada. Minha família nunca teve como bancar esse sonho, que só realizei quando passei por um divórcio, quase aos 30 anos. Duas semanas após minha separação, sem planejar muito e sem muito dinheiro também, arrumei duas malas e cheguei a Miami. Foram momentos difíceis de solidão e tristeza, mas, 20 anos depois, vejo que essa experiência me ensinou a ser mais humilde, a ter mais perseverança e determinação. Aprendi a não julgar os outros pelas aparências e desenvolvi mais compaixão pelo mundo. Um sonho realizado não quer dizer viver um mar-de-rosas. É apenas um trajeto, cheio de desafios e momentos felizes. Como aquele ditado "aquilo que não te mata o fortalece".
Eliana Guassi, 50 anos, Charlotte, Carolina do Norte (EUA)
Sempre tive pavor de andar de moto. E tudo piorou quando eu tinha 15 anos e fui atropelada por uma. E por travessura do destino, fui ter um namorado apaixonado pelo veículo. Uma vez, ele foi me buscar em uma aula de dança. Demorou para ele me convencer colocar o capacete e subir na garupa. Engoli o medo e subi na moto. Mais do que superar o temor, andar com ele cruzando com os carros foi uma prova de amor e confiança. Hoje, não estamos mais juntos, e nunca mais andei (e nem pretendo) andar de moto novamente.
Sheila Machado, 27. São Paulo, SP.
Conheci o Antonio em 2005, numa viagem a Portugal. Quando voltei para São Paulo, percebi que estava apaixonada. Sete meses depois, encarei o desafio e me mudei para lá, motivada e convicta do que sentia. Precisei lidar com o desconforto de amigos que começaram a me tratar com frieza, pessoas que se sentiram preteridas por eu ter escolhido ir embora do Brasil. Hoje, nós temos um filho de 1 ano. E em Portugal, tenho que lidar constantemente com o choque de cultura, de formação, de moral... mas sei que apesar de todas as dúvidas e da saudade tudo valeu a pena. É o meu percurso de vida! E mesmo depois de cinco anos e meio, ainda nos surpreendemos muito um com o outro diariamente.
Betina Ruiz, 37 anos, Amarante, Portugal
Tenho muito medo de altura. Mesmo assim, há seis anos, viajei para uma cidade chamada Pucón, no Chile, para escalar um vulcão ativo. O cume ficava a mais de 3 mil metros de altitude e eu enfrentei uma temperatura de 20 graus abaixo de zero. A caminhada também era muito íngreme e a escalada era totalmente vertical. Infelizmente, um acidente impediu que eu chegasse até o final, mas eu ainda quero voltar para ver a lava do topo do vulcão. Acho que nunca senti tanto medo na minha vida, mas não consigo ver isso como algo negativo. Para mim, o medo é uma relação com o desconhecido, que me ensina a lidar com as situações mais extremas da vida. Graças a ele, aprendo que mesmo que todas as coisas estejam dando errado, precisamos criar uma maneira de fazer tudo dar certo outra vez.
Fernando Siqueira, 35 anos, São Paulo (SP)
Desde pequena, eu gostava de desenhar, mas meu pai vivia dizendo que isso não dava dinheiro. Aos 15 anos, ele me colocou pra trabalhar em um escritório de advocacia. Quando chegou a época do vestibular, toda a minha família queria que eu fizesse o curso de direito. Acabei prestando vestibular na área mas, na hora da prova, assim que terminei a redação, rabisquei o todo o texto. Porque, se eu passasse, teria que cursar. No ano seguinte, fiz vestibular para arquitetura e passei. Ainda no primeiro consegui um estagio na prefeitura, que financiava minha faculdade. Meu pai sempre diz que estou estudando pra ser pedreira, e eu sempre respondo que serei uma pedreira feliz.
Eduarda Ribeiro Paulino, 19 anos, Franca (SP).
Ao terminar o ensino médio, meu sonho era fazer o curso de serviço social. Mas, a época era de ditadura militar, e o meu pai achava que era melhor evitar esse curso revolucionário. Arquivei meu desejo, o tempo passou, casei, tive três filhos, quando, certo dia, passando por uma rua perto de minha casa vi uma universidade. Entrei no prédio e, na mesma hora, me inscrevi em serviço social. Saí dali com a maior felicidade, meu sonho antigo iria finalmente se realizar! Em quatro anos me formei e, hoje, sou assistente social de uma instituição filantrópica. Descobri que sonhos existem e que precisamos de coragem para cutucá-los e realizá-los. Quero doar todo o amor que tenho para estar próximo à aqueles que precisam do calor humano, da escuta, da dignidade, enfim de uma vida justa.
Miriam Cristina Pinal Sobral Botelho, 51 anos, Belo Horizonte (MG)
Em maio de 2011 recebi um aviso da rede social Facebook comunicando que eu havia postado uma foto contra as regras de segurança do site. Imagine a minha surpresa ao ver que, na foto, eu estava amamentando meu filho. Na mesma época, uma mulher em São Paulo foi impedida de amamentar em um centro cultural. O motivo? Não é permitido se alimentar no local das exposições. Para protestar, decidimos promover o mamaço, um movimento que gerou encontros em 12 cidades brasileiras com mulheres amamentando em público. A atitude gerou repercussão e, até hoje, nossa coragem em expor o momento da amamentação incentiva a discussão do assunto. Espero que chegue o dia em que estranho seja ver uma criança tomando mamadeira.
Kalu Brum, 32 anos, Belo Horizonte (MG)
Kalu Brum, 32 anos, Belo Horizonte (MG)
Acredito que meu ato de coragem foi acreditar em mim. Para meus pais, trabalhar dança não me daria futuro algum. Com o tempo, fui provando o contrário e hoje sou formada em Educação Física, estou fazendo pós graduação em dança e há dois meses inaugurei minha escola de dança! Detalhe: Com total ajuda e apoio da família! Amo o que eu faço, estou muito feliz seguindo meu sonho - que agora tornou-se nosso!
Beatriz Ruberti, 23 anos, Sorocaba (SP)
Escrito às 16h09 do dia 13 de fevereiro de 2012






















































