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Tinha um pedra

13 de setembro de 2009

texto: Claudia Inoue

Bastava colocar os pés na praia para a caça ao tesouro começar. Dispensando mapas e baús de piratas, eu e meu irmão gastávamos as férias em busca de outras joias: aquelas que, trazidas pelas ondas e encalhadas na areia, apenas aguardavam ser descobertas por quem soubesse enxergar. Eram algas, conchas, tocos de madeira, cascas de tatuí, velhas estrelas-do-mar. A mais diferente seria a mais preciosa: o esqueleto de uma folha que ficou muito tempo na água, um pedaço de coral vermelho como um morango. A coleção subia a serra com a gente e perdia-se entre os brinquedos de plástico. Reencontrar itens dela, às vezes anos depois, fazia com que eu sentisse de novo a maresia, o gelado úmido da areia entre os dedos, o cheiro de verão. Memórias assim me ensinaram que às vezes lembranças ficam mais bem guardadas em sementes e pedras do que em diários. Por isso, já crescida na cidade, continuei a caminhar com os olhos no chão, vasculhando joias à minha espera em ruas e jardins. São pedras redondas que viram presentes, folhas de mil formas que contam as estações, florzinhas que marcam encontros, cascas de árvores caídas pelo bairro. Observo os detalhes, sinto a textura e o cheiro, conto as cores, combino osachados uns com os outros. Depois encontro esconderijos para eles, em caixinhas e páginas de livro. Afinal, não é uma coleção comum. É a minha história. É o meu tesouro.

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Categoria Descobrir

Torta de paçoca e chocolate

12 de setembro de 2009

Ela vai dar um quê de requinte à sua festa junina. Enquanto a massa abusa do amendoim, o recheio traz a elegância da avelã e do conhaque, suavizados pelo chocolate e pelo mel

ingredientes da massa
• 32 paçocas de rolha (2 pacotes de 350 g)
• 3 colheres (sopa) de leite

Modo de preparo
Amasse as paçocas (reserve duas para o recheio) e adicione o leite. Com essa mistura, forre o fundo e as laterais de uma forma de aro removível de 20 cm de diâmetro. Leve por cinco minutos ao forno médio preaquecido (180 °C). Reserve.

Ingredientes do recheio

- 150 g de chocolate ao leite
- 150 g de chocolate meio amargo
- 1 xícara (chá) de creme de leite
- 1 colher (sopa) de Karo ou mel
- 1 pote de creme de avelãs tipo Nutella
- 1 colher (sopa) de conhaque
- 1 colher (sopa) de gelatina incolor
- 3 colheres (sopa) de água
- 2 paçocas de rolha esfareladas
(aquelas já reservadas)

Modo de preparo
Coloque os chocolates picados e o creme de leite em um refratário e leve ao banhomaria. Depois de derretidos e misturados, adicione o creme de avelãs e mexa bem. Acrescente o Karo ou mel, o conhaque e as paçocas esfareladas e misture. Hidrate a gelatina em três colheres de sopa de água por alguns minutos e leve ao fogo, em banho-maria, para dissolver. Adicione aos poucos a gelatina à mistura de chocolate. Coloque o recheio sobre a base da torta e leve à geladeira até que esteja firme. Decore com paçocas esfareladas ou amendoim. Retire da geladeira só na hora de servir.


Receita publicada originalmente na Sorria* 8, com texto de Nina Weingrill, produção de culinária e objetos por Beth Freidenson. Clausa Bonfim foi assistente de culinária e Claudia Maykot cuidou da assistência de produção

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Categoria Dicas

Para inspirar

11 de setembro de 2009

Imagens:divulgação/reprodução

Desenhando com o Lado Direito do Cérebro. Livro de Betty Edwards, Ediouro. Lançado nos anos 70 e editado em diversos idiomas, este livro já levou mais de 2 milhões de pessoas a acreditar que são, sim, capazes de fazer belos desenhos. Os exercícios práticos estimulam o lado direito do cérebro – responsável pelas emoções, pela intuição e pela criatividade. Para resgatar o prazer da infância.

Minha Casa, Sua Casa. Reality show exibido pelo canal People+Arts, EUA, 2005. Só um maluco deixaria o vizinho redecorar sua casa. Ou não? Essa é a proposta da série de tevê produzida pela BBC inglesa. Dois casais de vizinhos trocam de lar por 48 horas e têm orçamento apertado para revolucionar um cômodo da morada alheia – pintar paredes, mudar cortinas e estofados, produzir móveis –, como der na telha. Um carpinteiro e um decorador ajudam. É melhor não ter tinta nem serrote à vista enquanto assiste. Ou…

Peixe Grande. Livro de Daniel Wallace, Rocco, e filme de Tim Burton, EUA, 2003. Um amigo gigante, uma bruxa, uma mulher de duas cabeças, o tempo que pára, missões militares de alto risco… Tudo na vida de Ed Bloom foi fora do comum. E todos adoram ouvir suas histórias fantásticas. Menos seu filho, Will, que não acredita nelas – e gostaria de saber a verdade por trás das viagens do pai. Separados há anos, eles se reencontram quando o pai adoece. Para se entenderem, precisam descobrir que a realidade mais banal pode ser mágica, dependendo de como se olha.

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Categoria Da redação

Robô x Monstro

10 de setembro de 2009

texto: Dilson Branco
foto: Rodrigo Braga
produção: Murilo Casagrande, Pedro Piccinini e redação de Sorria*

Eles são figuras clássicas das histórias de ficção científica. De um lado, o ser mais abominável, verde e escamoso que a natureza poderia ter criado: o monstro. De outro, a mais incrível invenção tecnológica humana, com todos os seus lasers, botões e luzinhas: o robô. Trata-se de entidades tão poderosas que, conforme são exibidas à exaustão nos antigos seriados japoneses, seu embate pode resultar na destruição de cidades inteiras. Desconsiderando o perigo de invocar tais criaturas, a redação da Sorria* passou as últimas semanas bolando um jeito de promover seu estrondoso encontro. Para isso, não precisamos de mais do que caixas velhas, sucatas e outras bugigangas vasculhadas em nossos armários – além de muita imaginação e horas de corte-e-cole. Neste brinquedo, não há passo a passo: vai-se inventando pelo caminho, conforme as peças se encaixam e o personagem ganha personalidade própria. No próximo fim de semana chuvoso, junte família e amigos, escolha a fantasia que você sempre quis ter e se prepare para elevar a reciclagem de lixo a patamares extragalácticos!

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Categoria Brincar!, Da redação

Poder de voz

10 de setembro de 2009

Comunicar é muito mais do que falar: é sentir-se parte ativa do grupo no qual se vive, unir forças para melhorar a qualidade de vida no espaço comum e tornar o convívio mais harmonioso

texto: Daniela Mercier

“Pra você que está subindo, pra você que está descendo: antes que o dia amanheça, está entrando no ar… o Jornal Legal”. O som vem de uma televisão posicionada em um buraco no muro de uma casa, em Sabará, no interior de Minas Gerais. E só dali. Em nenhum outro lugar do planeta é possível sintonizar a impagável TV Muro, anunciada com orgulho por seu criador, Francisco dos Santos, de 35 anos, como a menor emissora de TV do mundo.

Em 1996, Francisco comprou a primeira filmadora e passou a gravar pequenos acontecimentos na rua. Um ano depois, colocou uma TV no muro da casa e fez exibições de seus documentários caseiros aos vizinhos. O interesse foi tão grande que ele nunca mais parou. Hoje, a TV Muro faz parte da rotina da rua. Entre as atrações há lendas do bairro, histórias dos moradores mais antigos e também cobranças de melhorias às autoridades – como o semáforo na frente da escola, reivindicação atendida da qual Francisco se orgulha. As reuniões de pauta, em que se definem os assuntos que serão abordados nos programas, são transmitidas ao vivo, com direito a palpites dos espectadores que estão na calçada. “Sem a participação da comunidade, a TV não tem graça”, diz Francisco.

O objetivo inicial dele era apenas divulgar suas produções e entreter os vizinhos. Mas, mesmo de forma improvisada, Francisco acabou atingindo algo muito maior. A TV Muro é uma demonstração prática da importância da comunicação comunitária. São canais de troca de informação – TV, rádio, jornal, blog, revista, mural e o que mais vier – construídos por e para vizinhos, sem passar pelos interesses externos de grandes empresas de mídia. “Todo grupo pode fazer uso dos meios de comunicação para ser ouvido”, afirma o coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo, Ismar de Oliveira. “As tecnologias estão mais acessíveis e podem ser utilizadas para fortalecer a cultura local e formar pessoas mais atentas e interessadas no progresso coletivo”, diz.

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Categoria Da redação

Retalhos da infância

9 de setembro de 2009

Cecília Zylbersztajn, 64 anos,
Sorocaba, SP

Cecília conheceu a revista Tico-Tico aos 6 anos, pelas mãos de seu pai. Ele havia comprado o exemplar para que a menina participasse de um concurso de pintura: a melhor ganhava um jogo de tabuleiro. A tarefa era simples: colorir uma paisagem com uma casa, árvores e uma estradinha. Mas seu pai sugeriu que, em vez de pintar, ela fizesse uma bela colagem na cena, com papéis coloridos. Ela topou. E o pai apareceu com muitos e muitos chocolates com embalagens e formatos diferentes. Cecília as transformou em arte. Abriu os bombons, alisou os papéis, recortou, colou. Era a coisa mais linda que já tinha feito. Dias depois, o carteiro chegou com o jogo de tabuleiro. Cecília transbordou de alegria! E até hoje brinca com papéis, tintas e tecidos. Pequenos detalhes que deixam essa artista plástica um pouco mais criança a cada dia.

Trecho de A criança em você, reportagem publicada na Sorria* 3

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Categoria Da redação

Saber olhar

9 de setembro de 2009

Ver soluções onde há problemas. Enxergar um horizonte mais distante e colorido – e fazer o caminho para chegar lá. Isso é empreendedorismo

texto: Marcelo Rafael

Era uma vez um dono de uma fábrica de sapatos. Certo dia, o homem resolveu expandir seus negócios. Mandou dois funcionários para um país distanteavaliar se por lá o negócio renderia. Dias depois, um deles voltou. Arrasado. “Pode esquecer, chefe”, foi falando. “Não vamos vender nada. Ninguém usa sapatos nesse país!” Dali a pouco, o outro colega ligou. Eufórico. “Chefe! Pode dobrar a produção”, disse, ainda esbaforido. “Vamos vender tudo. Ninguém usa sapatos neste país!”

Contada em palestras motivacionais, a história é a versão empresarial da velha metáfora do copo com água pela metade – se está meio cheio ou meio vazio, depende de quem vê. No trabalho, enxergar oportunidades onde só parece ter problemas (ou, simplesmente, onde não há nada) é o que se chama de visão empreendedora. Não se trata apenas de abrir um negócio. Qualquer que seja a profissão, seja o funcionário, seja o dono, todo mundo pode cultivar a vista para as soluções.

“O empreendedorismo é um comportamento que pode ser ensinado”, garante Emerson Vieira, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), de São Paulo. Há um tanto de conhecimento teórico, que envolve métodos para avaliar situações, transformar idéias em planos realistas e colocá-los em prática. Outras questões envolvem o jeito de agir e pensar. Ser empreendedor é tomar iniciativa, inovar na maneira de resolver as coisas, ter persistência e coragem para arriscar. “Adquirir esse conhecimento ensina mais do que abrir uma empresa. As pessoas aprendem a ser protagonistas de sua vida”, diz Emerson.

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Categoria Da redação

Você ainda é um artista

8 de setembro de 2009


texto: Dilson Branco

Quando você era pequeno, conhecia uma maneira fácil, prazerosa e eficiente de se expressar. Bastava deixar o lápis deslizar pelo papel. Por vários anos, você foi um artista admirado, até que decidiu abandonar a carreira. Foi quando lhe ensinaram que sete letras representavam um castelo de maneira muito mais prática do que cinco ou seis retas. Pronto para emergir na realidade, você tachou suas obras-primas de tortas e imprecisas e, conforme o tempo livre ficou escasso, simplesmente deixou de desenhar. É o que acontece com quase todos nós. Mas basta recomeçar para se lembrar das delícias que essa atividade tão instintiva proporciona. De um lado, desenhar pede observação e paciência, que acabam por treinar o olhar e a coordenação. De outro, não é preciso ser perfeito nem exato: apenas solte a imaginação. Ao desenhar, deixamos o hemisfério direito de nosso cérebro – responsável pelas emoções e pelo lado mais divertido da vida – tomar conta. Juntando isso, a arte acaba por melhorar nossa compreensão dos outros e de nós mesmos. Continua sendo fácil, prazeroso e eficiente.

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Categoria Da redação, Descobrir

Asas à imaginação

8 de setembro de 2009

Vamos falar sobre criatividade, mas, como a semana está mais curta, esticamos o tema até a próxima. Assim, temos mais tempo para deixar as ideias rolarem soltas. Você vai conhecer histórias inspiradoras e dicas para mudar sua casa, seu trabalho, seu jeito de ver o mundo…

A graça do novo


A criatividade não é um dom do seu colega ousado ou do publicitário por trás do anúncio hilário. É parte de mim e de você. Desenferruje essa habilidade e tenha sua grande idéia de hoje. Você corre o risco de achar graça (no trabalho, na vida) onde antes não via nada de mais

texto: Dilson Branco

O empresário Constantino Kostakis Jr. descansava com a família na cidade serrana de Campos do Jordão, em São Paulo, quando teve a idéia. Na embalagem da pizza que pedira havia um vale-brinde, daqueles de recortar. Ele ficou pensando em como era pouco prático ter de pegar uma tesoura, cravá-la no papelão e contornar o vale para retirá-lo. Não seria mais fácil se ele fosse destacável? Logo ao lado, seu filho brincava com um dinossauro de montar, feito de peças de papel. Bingo! Por que não embutir nas embalagens de piz-za peças destacáveis que servissem para montar brinquedos? Constantino levou a idéia adiante e hoje a Pack Pizza, como ele a batizou, é o carro-chefe de sua empresa de embalagens. “Considero-me criativo. Tudo o que eu olho sei que posso melhorar”, conta. “Criar me dá muita satisfação.” Constantino é uma pessoa como você ou eu. E exemplo de que a criatividade pode apimentar o trabalho e a vida. Quem pensava que isso era coisa só de artistas pode repensar. “A criatividade é necessária até em tarefas básicas, como escolher a melhor forma de pagar nossas dívidas”, afirma a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. Para Charles Watson, palestrante de um concorrido curso sobre o processo criativo, “criatividade é a maneira como você define sua relação com a vida”, diz. “Você pode escolher viver num estado de semi-sonolência ou pode realmente procurar fazer coisas significativas com ela”. Bateu aquela coceira?


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Categoria Da redação

Bananinha

5 de setembro de 2009

Coma ainda morna. Assim, a textura se assemelha à do brigadeiro de colher

Foto:Daniela Toviansky

Ingredientes
• 12 bananas nanicas
• 1 copo de água
• 1 copo de açúcar refinado
• 1 copo de açúcar cristal
• 1 colher de sopa de canela em pó

Modo de preparo
Descasque as bananas e pique-as em rodelas. Coloque-as em uma panela de fundo grosso, junte a água e leve ao fogo médio. Quando a água começar a secar, acrescente o açúcar refinado e a canela e reduza o fogo. Mexa sem parar. A mistura vai ganhando aos poucos um tom dourado- escuro. Quando começar a desgrudar do fundo da panela, desligue o fogo. Unte com manteiga uma superfície de mármore e despeje o doce. Quando estiver morno, corte em quadradinhos e molde-os no formato que desejar. Por último, empane as bananinhas no açúcar cristal.


Receita da doceira Conceição Lopes Lenharo, publicada na Sorria* 6 com texto de Marcela Dias, foto de Daniela Toviansky e a produção culinária ficou por conta de Lucy Silva

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Categoria Dicas

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