21 de outubro de 2009
Para um leigo, ficar na pontinha de uma estrutura que se ergue a 10 metros do chão – mesmo que lá embaixo haja uma piscina – pode ser aflitivo. Para Fernando Ribeiro, é apenas um detalhe do esporte que ele pratica há 54 anos: o salto ornamental. A paixão por executar rodopios nos poucos segundos que separam o trampolim da água foi despertada na adolescência, no clube que frequentava, antes de se mudar do Rio de Janeiro para São Paulo. Seu talento foi reconhecido pelos atletas mais experientes, e ele começou a treinar a sério. A certa altura, o pai pressionou: “Vai ficar saltando ou vai trabalhar?”, e Fernando se desdobrou entre faculdade, emprego e piscina. Formado engenheiro, ele se orgulha da invejável carreira paralela: participou de duas Olimpíadas e de três Panamericanos, ganhou campeonatos regionais, nacionais e sul-americanos. Incontáveis vezes, ele teve a sensação de girar no vazio, totalmente livre e, ao mesmo tempo, absolutamente concentrado na tentativa da manobra impecável. “Durante a rotação, sinto que há forças me puxando. Mas consigo prever o momento certo de me esticar. Quando o corpo toca a água, sabemos se o salto foi ou não um sucesso: quanto menos espirrar, maior a nota”, explica. Aos 71 anos, Fernando segue praticando, na piscina com trampolim construída no quintal de casa. E competindo. “Hoje tenho medo de executar alguns saltos, mas faço o melhor que posso”, conta, apressado para embarcar para os Estados Unidos, rumo a mais um campeonato.
Trecho de Roda Viva reportagem da Sorria 8
20 de outubro de 2009
Tem os de fundo de pedra lisa de limo, límpidos e escuros . Tem os de cor de café-com-leite, que, quando se pisa, a lama cremosa se mete entre os dedos, quase uma aflição. Tem os de fundo de areia, de pedrinhas, de plantas. A água pode ser gelada, vinda do mato, ou mais quente, se a correnteza é fraca. Tem os largos e traiçoeiros, e tem aqueles estreitos, onde dá pra juntar pedras em represas de mentirinha. Nenhum país tem tantos rios quanto o Brasil. Milhares, de todos os tipos. Muitos são poluídos, é verdade, mas, em algum lugar nem tão longe de você, existe um onde se pode mergulhar. Eles inspiraram histórias de Monteiro Lobato e Guimarães Rosa, poemas de Mário Quintana e Manuel Bandeira, músicas populares cheias da simbologia da água que passa e leva embora a dor. E como se não bastasse, banho de rio é uma delícia.
20 de outubro de 2009
Inspirados pela primavera chuvosa, esta semana vamos falar sobre água e seus diversos usos. Para começar, que tal um pouco de esporte? Tem gente mergulhando, nadando, surfando…
Dois H e um O
Piscina, mar, rio, lagoa, corredeira, banheira, chuva, água fria, água morna, bolsa d’água. Qualquer atividade molhada faz bem. E, para os personagens dessas histórias, também vicia
texto: Gustavo Pereira
A vid na Terra surgiu há mais de 4 bilhões de anos, depois que dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio resolveram ficar juntos. Nós, humanos, antes mesmo de nascer, já tínhamos as primeiras aulas de natação, no útero de nossa mãe. Cerca de 70% do nosso corpo é feito de água. Nada mais natural do que sentir-se em casa com ela.
Primeiro vêm os prazeres. Quem curte competir tem a natação, o surfe, o pólo aquático, até nado sincronizado. Viciados em adrenalina mergulham do alto ou para o fundo, enfrentam corredeiras no rafting, descem cachoeiras no cascading. Perseguidores da boa forma podem aderir à hidroginástica e brincalhões, ao biribol. E até preguiçosos têm vez: basta boiar.
Depois vêm os benefícios. Dentro da água, a atuação da gravidade sobre as articulações diminui, então é mais fácil alongar e aliviar as dores. Ganhar massa muscular e melhorar a resistência cardiovascular também é batata. “E a água ajuda a combater o estresse”, afirma o professor de natação Guilherme Assis de Siga. “Na natação, por exemplo, a concentração exigida na hora de respirar e se movimentar faz com que você alivie as tensões e esqueça um pouco dos problemas.” Leia a continuação>>
19 de outubro de 2009

“Um cachorro é o melhor presente para uma criança. Aos 9 anos de idade, meus pais me deram um vira-lata sarnento. Foi o presente da minha vida. Sempre repito o gesto com meus primos menores.”
Thais Nicoletti, 29 anos, Curitiba, PR
Para saber o que mais pessoas aprenderam, acesse o blog O que aprendi. Para contar uma lição importante que você aprendeu, clique aqui e nos mande um e-mail.
17 de outubro de 2009

Delícia no pão, em saladas ou com carnes
Igredientes
1 kg de tomates-cereja
1/2 xícara de azeite extravirgem
8 dentes de alho em fatias
2 colheres (sopa) de manjericão fresco
1 colher (sopa) de tomilho fresco
1 colher (sopa) orégano
sal e pimenta do reino
Modo de preparo
Despeje os tomates lavados e secos numa assadeira. Polvilhe com as ervas, o alho e a pimenta e revolva. Leve ao forno já aquecido, na temperatura mais baixa possível. Estará pronto em cerca de uma ou duas horas, quando os tomates estiverem bem macios (mas não desmanchando!), com a pele quebradiça. Tempere com sal. Guarde tudo (o líquido inclusive) em um pote de vidro na geladeira, regando com mais azeite, até cobrir.
Receita publicada na Sorria 9, com texto de Nina Weingrill e foto de Luiz Henrique Mendes. Quem cuidou da produção culinária e objetos foi Beth Freidson, Cleusa Benfim foi assistente culinária e Claudia Maykot assistente de produção.
15 de outubro de 2009
Eles influenciam nossas idéias e escolhas. Com humor ou braveza, disciplina ou amizade, nos tomam pela mão e apresentam o mundo com outro olhar. A maior lição não está nos livros: vive no professor
texto: Cecília Selbach
Todo mundo tem um professor inesquecível. Aquele bravo, das provas mais assustadoras, pra quem não se pedia nem licença para ir ao banheiro. A amalucada, que falava coisas que professores sérios jamais diriam e nos obrigava a rever conceitos. O amigão, que conversava de coisas que nem eram da aula e fazia a gente se sentir mais adulto. A linda, por quem os meninos suspiravam e de quem as meninas queriam ser amigas. Os que faziam perguntas sem respostas prontas. Lembra aquele debochado, que inventava música para decorar a fórmula e botava apelido na turma do fundão? Ah, e os empolgados, que gostavam tanto do que ensinavam que acabavam fazendo a gente gostar também. E tinha, ainda, os professores sem o título, mas cumpriram a função: pais inspiradores, autores que nos tocam por livros, chefes acolhedores, pessoas exemplares…
Mais do que ensinar a lição, bons professores fazem com que a gente se apaixone por saber. Despertam vocações, nos obrigam a tentar até conseguir. Pegam pelo ponto fraco e cutucam tanto que acabamos mais fortes. Ou descobrem um talento que nem a gente acreditava ter e fazem florescer. Por causa de um professor assim, aprendemos mais, mudamos de idéias, descobrimos o mundo e nós mesmos. Se chegavam a dar frio na barriga antes de entrar na sala, é porque gostávamos tanto deles que queríamos impressionar. Pode ser um momento ou uma relação que dura a vida toda. Grandes mestres se tornam parte do que nos tornamos, e, mesmo sem vê-los, anos depois ainda somos capazes de ouvir a voz deles na hora de cumprir uma tarefa difícil. A seguir, um punhado de histórias de professores que marcaram para sempre a vida de seus alunos. Leia a continuação>>
14 de outubro de 2009

Quem nunca se flagrou observando um detalhe de um estranho? Quando usamos transporte coletivo, acontece com frequência. De repente, nosso olhar se perde na mão enrugada de uma senhora, no cenho franzido da mãe preocupada, no suor escorrendo pela testa do garoto, nos pés inquietos da menina, nas roupas que gostaríamos de ter, naquelas que jamais usaríamos… São reflexões fugazes: no vaivém do desembarque, desaparecem.
O ilustrador português António Jorge Gonçalves também tem essa mania. E resolveu registrar suas impressões em desenhos. Ele viajou por dez grandes cidades do mundo e desenhou pessoas que encontrou no metrô. São mais de 300 obras feitas entre uma estação e outra. O critério para escolher o personagem é simples: desenhar quem sentar a sua frente. E o resultado são imagens que mostram um momento breve na vida de alguém, um instante qualquer que não era especial até ser congelado. Clique aqui para conhecer o projeto Subway Life.
8 de outubro de 2009

Arrebatamos mais um! Na tarde de hoje, a Sorria ganhou o Prêmio Aberje 2009, na categoria Mídias – Pequenas e Médias Organizações. Foi a 35ª edição do evento, realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, em São Paulo. Entre os demais premiados e homenageados estão Petrobras, Vale, Votorantim, Pão de Açúcar, Natura, Jornal Nacional, O Estado de S. Paulo e Época Negócios.
Até ser escolhida vencedora, a Sorria teve de passar por três rigorosas avaliações: a seleção inicial, que nos qualificou para a final regional de São Paulo, e duas audiências públicas, nas quais o projeto foi julgado por diferentes grupos de especialistas.
Parabéns e obrigado a todos que fazem da Sorria este sucesso!
Para saber mais sobre o prêmio, clique aqui.
8 de outubro de 2009
por Nina Weingrill
Estava navegando no meu Google Reader e dei de cara com uma notícia muito boa: o aumento no número de mulheres no pedal é sinal de que a cidade está ficando mais amigável às bicicletas. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e tem mesmo tudo a ver. As mulheres se arriscam menos do que os homens. Portanto, vão sair com suas bicicletinhas somente quando a cidade tiver estrutura. E são as mulheres que fazem a maior parte dos serviços domésticos, buscam e levam os filhos na escola, fazem as compras. O que quer dizer que as rotas de bicicleta têm de ficar mais funcionais pra que mamães e donas de casa saiam por aí pedalando. Clique aqui para ver o texto original, em inglês.
Fiquei pensando aqui na Editora MOL, onde há uma fúria da mulherada em dominar a causa da bicicleta. E pensei em mim. Aprendi a pedalar sozinha. Era uma Caloi rosa. Tirei as rodinhas de apoio e me esborrachei no chão. Levantei, caí de novo. Levantei de novo e dessa vez para não cair mais. A sensação foi incrível. E não estou falando do vento na cara, da velocidade. Estou falando da primeira vez em que soube que estava fazendo algo sozinha, e que o mérito era todo meu. Quanta audácia. Até hoje encho a boca pra falar que aprendi a andar de bicicleta sozinha, e sem plateia, ali, numa tarde quente, na garagem de casa. Meu irmão não teve a mesma sorte. Ficou nas rodinhas de apoio até bem mais velho, porque talvez tivesse medo dos tombos, vai saber.
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7 de outubro de 2009
por Jeanne Callegari

Renata Falzoni é uma das pessoas que mais lutou pelo reconhecimento da bicicleta como meio de transporte no Brasil. Ciclista desde criança, cicloativista desde os vinte e poucos anos, em 1988 ela foi a fundadora dos Night Bikers, o primeiro clube de ciclistas que se reunia para pedalar à noite, durante a semana, na capital paulista. Como jornalista, sempre procurou retratar as dificuldades dos ciclistas, sem medo de enfrentar e denunciar políticos que prometem muito e não fazem nada. Hoje, aos 56 anos, continua acreditando no potencial transformador da bicicleta, que, além de saúde e uma relação nova com a cidade, pode trazer também mais inclusão social e mais consciência ecológica. Conversamos com ela por telefone, em um dos intervalos da viagem que está fazendo pela cicloestrada Via Claudia Augusta, na Itália – de bicicleta, claro.
Como começou sua relação com a bicicleta?
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