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Coisa de louco

28 de outubro de 2009

foto: Renato Pizzutto

texto: Nina Weingrill
fotos: Renato Pizzutto

Seu Nelson Flores acorda às 6 da manhã. Toma café, veste sua melhor combinação de short e camiseta e ruma para o Sesc Itaquera, a 40 minutos de ônibus de onde mora, em São Mateus, na periferia de São Paulo. Chega antes mesmo de os portões se abrirem, às 9. “Gosto de ser o primeiro”, diz. Em tudo, diga-se. Aos 70 anos, bem vividos, seu Nelson é um assíduo praticante de qualquer esporte que for convidado a jogar. Isso talvez explique o entusiasmo extra com que chega ao Sesc nessa época, férias de verão da neta Jéssica, de 11. Com ela, seu Nelson tem boa desculpa para praticar a atividade de que mais gosta: despencar no toboágua de 7 metros de altura do parque aquático do Sesc. “Eu gosto de emoção. Deslizar me dá uma felicidade rara”, diz, como quem precisa se justificar. É que a família pega no pé, o médico receitou pílulas para a pressão alta… E o velho ainda vai se meter em atividades estressantes? Mas é do prazer da adrenalina que ele fala. “As pessoas dizem que sou metido. Azar delas! Mal sabem como é bom gritar de lá de cima e fingir que a gente é um pouco louco de vez em quando.

Trecho de Cometa um deslize, reportagem publicada na Sorria 6.

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Categoria Da redação

Laço eterno

26 de outubro de 2009

http://revistasorria.com.br/oqueaprendi/2009/09/laco-eterno/

“Desde criança, aprendi a valorizar as pessoas que me são caras, como minha mãe Maria Helena, que criou a mim e a meus dois irmãos com muitas dificuldades. Às vezes, quando existe amor, a dificuldade une mais as pessoas.

Perdemos o meu irmão mais velho, Augusto, e, com isso, também se foi um pedaço dela. As doenças começaram a aparecer e, de filha, passei a mãe. Ela acabou ficando totalmente dependente de mim, física, mental e emocionalmente.

Não pensem que isso é uma reclamação, é apenas um processo do aprendizado que passei com ela, que me trouxe muita tristeza, por vê-la assim, mas também muito mais proximidade.

Ela faleceu em 13 de maio de 2009, aos 85 anos. Uma pessoa, para me confortar, disse: “Ela descansou, e você também”. Respondi o que a experiência me ensinou: ela não me cansa, ela é minha mãe, e eu cuidaria dela pelo tempo que fosse necessário.”

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Categoria O que aprendi

Top 10 - Água

23 de outubro de 2009

Para fechar a semana com estilo, fizemos uma lista das nossas músicas molhadas favoritas:

Águas de março - Tom Jobim

Singin in the rain - Gene Kelly
Como uma onda no mar - Lulu Santos
Who’ll Stop The Rain - Creedence Clearwater Revival
Raindrops keep falling on my head - B. J. Thomas
Rain - Madonna
Here comes the sun - The Beatles
Água de beber (camará) -Astrud Gilberto
Stormy weather - Ella Fitzgerald
Foi um rio que passou em minha vida - Paulinho da Viola

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Categoria Da redação, Dicas

Escorrego, o esporte

22 de outubro de 2009

Rafael Krieger, de 24 anos, é um amador. Mas poderia ser criador e craque de um novo esporte: o “escorrego”. Sua habilidade é deslizar sobre tudo quanto é piso – e também por superfícies variadas, como corrimão de escada. Como instrumentos, sapatos de sola lisa, meias sem medo de encardir, água e sabão, o próprio corpo – as regras são flexíveis e dependem da oportunidade. A prática começou ainda criança, em Florianópolis, quando o skate era meio de transporte da sala para a cozinha. Mais velho, Rafael descobriu o deleite das dunas na praia. Ali, deslizando areia abaixo, o escorrego era praticado com os pés descalços, sobre pedaços de papelão, de bunda. Então ele se mudou para São Paulo, a terra da garoa. E a chuva virou o meio “lubrificante”. Com tempo feio, ele sai às ruas de olho no chão mais molhado. Já mapeou as melhores pistas: o piso de azulejo na entrada do prédio é ótimo. Nele, “patina” de tênis mesmo, imaginando trilhas sonoras para sua apresentação. Se já caiu? Até criou calo. Mas bom mesmo é o escorrego na piscina. Funciona assim: de férias na casa da mãe, lá no Sul, esvazia a piscina de plástico dos irmãos menores e a estica na grama. “Daí molho com a mangueira, ponho bastante sabão, saio correndo e me jogo na lona lisinha.” Se o escorrego fosse esporte, ninguém mais reclamava da educação física.

Trecho de Cometa um Deslize, reportagem da Sorria 6.

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Categoria Da redação

Revoluções no vazio

21 de outubro de 2009

Para um leigo, ficar na pontinha de uma estrutura que se ergue a 10 metros do chão – mesmo que lá embaixo haja uma piscina – pode ser aflitivo. Para Fernando Ribeiro, é apenas um detalhe do esporte que ele pratica há 54 anos: o salto ornamental. A paixão por executar rodopios nos poucos segundos que separam o trampolim da água foi despertada na adolescência, no clube que frequentava, antes de se mudar do Rio de Janeiro para São Paulo. Seu talento foi reconhecido pelos atletas mais experientes, e ele começou a treinar a sério. A certa altura, o pai pressionou: “Vai ficar saltando ou vai trabalhar?”, e Fernando se desdobrou entre faculdade, emprego e piscina. Formado engenheiro, ele se orgulha da invejável carreira paralela: participou de duas Olimpíadas e de três Panamericanos, ganhou campeonatos regionais, nacionais e sul-americanos. Incontáveis vezes, ele teve a sensação de girar no vazio, totalmente livre e, ao mesmo tempo, absolutamente concentrado na tentativa da manobra impecável. “Durante a rotação, sinto que há forças me puxando. Mas consigo prever o momento certo de me esticar. Quando o corpo toca a água, sabemos se o salto foi ou não um sucesso: quanto menos espirrar, maior a nota”, explica. Aos 71 anos, Fernando segue praticando, na piscina com trampolim construída no quintal de casa. E competindo. “Hoje tenho medo de executar alguns saltos, mas faço o melhor que posso”, conta, apressado para embarcar para os Estados Unidos, rumo a mais um campeonato.

Trecho de Roda Viva reportagem da Sorria 8

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Categoria Da redação

Foi um rio que passou

20 de outubro de 2009

Tem os de fundo de pedra lisa de limo, límpidos e escuros . Tem os de cor de café-com-leite, que, quando se pisa, a lama cremosa se mete entre os dedos, quase uma aflição. Tem os de fundo de areia, de pedrinhas, de plantas. A água pode ser gelada, vinda do mato, ou mais quente, se a correnteza é fraca. Tem os largos e traiçoeiros, e tem aqueles estreitos, onde dá pra juntar pedras em represas de mentirinha. Nenhum país tem tantos rios quanto o Brasil. Milhares, de todos os tipos. Muitos são poluídos, é verdade, mas, em algum lugar nem tão longe de você, existe um onde se pode mergulhar. Eles inspiraram histórias de Monteiro Lobato e Guimarães Rosa, poemas de Mário Quintana e Manuel Bandeira, músicas populares cheias da simbologia da água que passa e leva embora a dor. E como se não bastasse, banho de rio é uma delícia.

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Categoria Da redação

Semana das águas

20 de outubro de 2009

Inspirados pela primavera chuvosa, esta semana vamos falar sobre água e seus diversos usos. Para começar, que tal um pouco de esporte? Tem gente mergulhando, nadando, surfando…

Dois H e um O


Piscina, mar, rio, lagoa, corredeira, banheira, chuva, água fria, água morna, bolsa d’água. Qualquer atividade molhada faz bem. E, para os personagens dessas histórias, também vicia

texto: Gustavo Pereira

A vid na Terra surgiu há mais de 4 bilhões de anos, depois que dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio resolveram ficar juntos. Nós, humanos, antes mesmo de nascer, já tínhamos as primeiras aulas de natação, no útero de nossa mãe. Cerca de 70% do nosso corpo é feito de água. Nada mais natural do que sentir-se em casa com ela.

Primeiro vêm os prazeres. Quem curte competir tem a natação, o surfe, o pólo aquático, até nado sincronizado. Viciados em adrenalina mergulham do alto ou para o fundo, enfrentam corredeiras no rafting, descem cachoeiras no cascading. Perseguidores da boa forma podem aderir à hidroginástica e brincalhões, ao biribol. E até preguiçosos têm vez: basta boiar.

Depois vêm os benefícios. Dentro da água, a atuação da gravidade sobre as articulações diminui, então é mais fácil alongar e aliviar as dores. Ganhar massa muscular e melhorar a resistência cardiovascular também é batata. “E a água ajuda a combater o estresse”, afirma o professor de natação Guilherme Assis de Siga. “Na natação, por exemplo, a concentração exigida na hora de respirar e se movimentar faz com que você alivie as tensões e esqueça um pouco dos problemas.” Leia a continuação>>

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Categoria Da redação

Amigos de infância

19 de outubro de 2009

http://revistasorria.com.br/oqueaprendi/2009/08/amigos-de-infancia/

“Um cachorro é o melhor presente para uma criança. Aos 9 anos de idade, meus pais me deram um vira-lata sarnento. Foi o presente da minha vida. Sempre repito o gesto com meus primos menores.”

Thais Nicoletti, 29 anos, Curitiba, PR

Para saber o que mais pessoas aprenderam, acesse o blog O que aprendi. Para contar uma lição importante que você aprendeu, clique aqui e nos mande um e-mail.

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Categoria O que aprendi

Tomatinhos no azeite

17 de outubro de 2009

Luiz Henrique Mendes

Delícia no pão, em saladas ou com carnes

Igredientes
1 kg de tomates-cereja
1/2 xícara de azeite extravirgem
8 dentes de alho em fatias
2 colheres (sopa) de manjericão fresco
1 colher (sopa) de tomilho fresco
1 colher (sopa) orégano
sal e pimenta do reino

Modo de preparo
Despeje os tomates lavados e secos numa assadeira. Polvilhe com as ervas, o alho e a pimenta e revolva. Leve ao forno já aquecido, na temperatura mais baixa possível. Estará pronto em cerca de uma ou duas horas, quando os tomates estiverem bem macios (mas não desmanchando!), com a pele quebradiça. Tempere com sal. Guarde tudo (o líquido inclusive) em um pote de vidro na geladeira, regando com mais azeite, até cobrir.


Receita publicada na Sorria 9, com texto de Nina Weingrill e foto de Luiz Henrique Mendes. Quem cuidou da produção culinária e objetos foi Beth Freidson, Cleusa Benfim foi assistente culinária e Claudia Maykot assistente de produção.

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Categoria Dicas

Aos mestres, com carinho

15 de outubro de 2009

Eles influenciam nossas idéias e escolhas. Com humor ou braveza, disciplina ou amizade, nos tomam pela mão e apresentam o mundo com outro olhar. A maior lição não está nos livros: vive no professor

texto: Cecília Selbach

Todo mundo tem um professor inesquecível. Aquele bravo, das provas mais assustadoras, pra quem não se pedia nem licença para ir ao banheiro. A amalucada, que falava coisas que professores sérios jamais diriam e nos obrigava a rever conceitos. O amigão, que conversava de coisas que nem eram da aula e fazia a gente se sentir mais adulto. A linda, por quem os meninos suspiravam e de quem as meninas queriam ser amigas. Os que faziam perguntas sem respostas prontas. Lembra aquele debochado, que inventava música para decorar a fórmula e botava apelido na turma do fundão? Ah, e os empolgados, que gostavam tanto do que ensinavam que acabavam fazendo a gente gostar também. E tinha, ainda, os professores sem o título, mas cumpriram a função: pais inspiradores, autores que nos tocam por livros, chefes acolhedores, pessoas exemplares…

Mais do que ensinar a lição, bons professores fazem com que a gente se apaixone por saber. Despertam vocações, nos obrigam a tentar até conseguir. Pegam pelo ponto fraco e cutucam tanto que acabamos mais fortes. Ou descobrem um talento que nem a gente acreditava ter e fazem florescer. Por causa de um professor assim, aprendemos mais, mudamos de idéias, descobrimos o mundo e nós mesmos. Se chegavam a dar frio na barriga antes de entrar na sala, é porque gostávamos tanto deles que queríamos impressionar. Pode ser um momento ou uma relação que dura a vida toda. Grandes mestres se tornam parte do que nos tornamos, e, mesmo sem vê-los, anos depois ainda somos capazes de ouvir a voz deles na hora de cumprir uma tarefa difícil. A seguir, um punhado de histórias de professores que marcaram para sempre a vida de seus alunos. Leia a continuação>>

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Categoria Da redação

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