Coisa de louco

texto: Nina Weingrill
fotos: Renato Pizzutto
Seu Nelson Flores acorda às 6 da manhã. Toma café, veste sua melhor combinação de short e camiseta e ruma para o Sesc Itaquera, a 40 minutos de ônibus de onde mora, em São Mateus, na periferia de São Paulo. Chega antes mesmo de os portões se abrirem, às 9. “Gosto de ser o primeiro”, diz. Em tudo, diga-se. Aos 70 anos, bem vividos, seu Nelson é um assíduo praticante de qualquer esporte que for convidado a jogar. Isso talvez explique o entusiasmo extra com que chega ao Sesc nessa época, férias de verão da neta Jéssica, de 11. Com ela, seu Nelson tem boa desculpa para praticar a atividade de que mais gosta: despencar no toboágua de 7 metros de altura do parque aquático do Sesc. “Eu gosto de emoção. Deslizar me dá uma felicidade rara”, diz, como quem precisa se justificar. É que a família pega no pé, o médico receitou pílulas para a pressão alta… E o velho ainda vai se meter em atividades estressantes? Mas é do prazer da adrenalina que ele fala. “As pessoas dizem que sou metido. Azar delas! Mal sabem como é bom gritar de lá de cima e fingir que a gente é um pouco louco de vez em quando.
Trecho de Cometa um deslize, reportagem publicada na Sorria 6.
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