Escorrego, o esporte
Rafael Krieger, de 24 anos, é um amador. Mas poderia ser criador e craque de um novo esporte: o “escorrego”. Sua habilidade é deslizar sobre tudo quanto é piso – e também por superfícies variadas, como corrimão de escada. Como instrumentos, sapatos de sola lisa, meias sem medo de encardir, água e sabão, o próprio corpo – as regras são flexíveis e dependem da oportunidade. A prática começou ainda criança, em Florianópolis, quando o skate era meio de transporte da sala para a cozinha. Mais velho, Rafael descobriu o deleite das dunas na praia. Ali, deslizando areia abaixo, o escorrego era praticado com os pés descalços, sobre pedaços de papelão, de bunda. Então ele se mudou para São Paulo, a terra da garoa. E a chuva virou o meio “lubrificante”. Com tempo feio, ele sai às ruas de olho no chão mais molhado. Já mapeou as melhores pistas: o piso de azulejo na entrada do prédio é ótimo. Nele, “patina” de tênis mesmo, imaginando trilhas sonoras para sua apresentação. Se já caiu? Até criou calo. Mas bom mesmo é o escorrego na piscina. Funciona assim: de férias na casa da mãe, lá no Sul, esvazia a piscina de plástico dos irmãos menores e a estica na grama. “Daí molho com a mangueira, ponho bastante sabão, saio correndo e me jogo na lona lisinha.” Se o escorrego fosse esporte, ninguém mais reclamava da educação física.
Trecho de Cometa um Deslize, reportagem da Sorria 6.
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