In memoriam
“Esta história é do meu pai. Ele passou a vida trabalhando. Não tinha tempo para brincar nem ser carinhoso. Aos 70 anos, viúvo, descobriu um câncer. Só fez uma pergunta ao médico: ‘Quanto tempo?’ Oito meses. No dia seguinte, avisou: ‘Estou indo viajar’. Foi ao Nordeste, à Amazônia, à Europa. Da sua Itália natal, mandou um cartão: ‘Meus filhos, planejei minha vida inteira, e nos meus planos eu teria tempo, um dia, para viver. Agora que meu plano deu errado, a única coisa que tenho a perder é tempo. Perdoem-me, se puderem, pela ausência. Se lhes consola, saibam que este câncer imprevisto, ao contrário do que lhes possa parecer, salvou minha vida. Estou feliz e vou-me em paz’. Semanas depois ele morreu, e a lição nesse postal é minha maior herança.”
Virginia Mancini, 42 anos, Jaraguá do Sul, SC
Depoimento publicado na Sorria* 8
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