Com quantas profissões se faz uma carreira

De engenheiro para cozinheiro, de advogado para cineasta. Mudar de profissão é uma aventura em que cada vez mais gente embarca. Saiba por que isso é possível, faz bem e é até valorizado no mercado. Já fez seu teste vocacional hoje?
texto: Simone Cunha
ilustração: Rafael Sica
Fbíola Medeiros tinha 32 anos e trabalhava como relações-públicas na única multinacional de Alfenas, em Minas Gerais. Casada e com dois filhos, era exemplo de mulher de sucesso. Gustavo Brusca, aos 47 anos, era gerente de produtos de uma indústria têxtil de São Paulo, ditava tendências desenvolvendo tecidos, estampas e fios e ganhava um salário de alto padrão. Em comum, também tinham a certeza de que estavam insatisfeitos com sua profissão. Caminhavam a passos largos, mas não para onde queriam. Era preciso parar e recomeçar a trilha – em novo rumo.
Há cinco anos, Fabíola largou a carreira empresarial dos últimos quinze para se tornar fotógrafa autônoma. Ela tinha certeza de que era o que queria e de que tudo daria certo – ao contrário da vizinhança de Alfenas. “Fui tachada de louca. Diziam ‘por que uma mulher com dois filhos larga um bom emprego pela fotografia?’”, relembra. Oras, porque queria mais tempo com as crianças, menos burocracia, mais criatividade e voltar a aprender – coisas que não tinha naquela vida. Gustavo também deixou o design, há pouco mais de um ano, para abrir o próprio bistrô. Ganha quatro vezes menos, trabalha quatro horas a mais por dia, mas está bem mais feliz do que com o emprego anterior.
Histórias como essas já não são meras exceções. Cada vez mais gente busca uma carreira mais condizente com seus valores e vontades, mesmo que só descubra qual é ela no meio de uma vida profissional já estabilizada e aparentemente bem-sucedida. Se, há poucas décadas, a regra era trabalhar a vida inteira na mesma empresa até se aposentar, hoje o conceito perde adeptos. Uma pesquisa entre homens norte-americanos mostrou que, em 1983, eles ficavam, em média, até quinze anos no mesmo emprego. Hoje, esse tempo não passa de dez anos, segundo o Ministério do Trabalho dos EUA. “A estabilidade e a segurança perderam a importância que tinham antigamente”, explica o professor de sociologia da Universidade de São Paulo Pauo Álvaro Comin. “No atual modelo, a gente tem mais insegurança, mas também mais espaço para a individualidade.”
Qualidade de vida e liberdade ganharam espaço entre critérios tradicionais como status, dinheiro e estabilidade na hora de escolher uma carreira. Trata-se de passar a desejar um emprego que permita mais satisfação, diversão, tempo livre ou flexível, ou até a possibilidade de viajar e morar onde quiser.
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